UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
Paciente de 26 anos, casada há 1 ano, sem uso de método anticoncepcional, com vida sexual normal, apresenta infertilidade decorrente de anovulação crônica hiperandrogênica. Sobre a indução de ovulação, é CORRETO afirmar:
SOP + Infertilidade → 1ª linha: Citrato de Clomifeno (ou Letrozol).
O citrato de clomifeno atua como modulador seletivo do receptor de estrogênio, aumentando a secreção de FSH e estimulando o desenvolvimento folicular em pacientes anovulatórias.
A anovulação crônica hiperandrogênica, frequentemente associada à Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), é uma causa comum de infertilidade. O manejo inicial foca em mudanças no estilo de vida, como perda de peso, que pode restaurar a ovulação espontânea. Quando a intervenção farmacológica é necessária, os moduladores de receptores estrogênicos ou inibidores da aromatase são preferidos. O citrato de clomifeno atua competindo com o estrogênio endógeno nos receptores hipotalâmicos, 'enganando' o sistema para produzir mais gonadotrofinas. A metformina atua na sensibilização à insulina, sendo um coadjuvante útil, mas não substitui os indutores. Procedimentos cirúrgicos como o 'drilling' ovariano (evolução da antiga cirurgia de Thaler) são reservados para casos selecionados e refratários ao tratamento medicamentoso.
Historicamente, o citrato de clomifeno é a droga de primeira escolha. Ele age bloqueando os receptores de estrogênio no hipotálamo, o que reduz o feedback negativo e aumenta a liberação de GnRH e, consequentemente, de FSH e LH, estimulando o crescimento folicular. Atualmente, o letrozol (inibidor da aromatase) tem ganhado espaço como alternativa superior em alguns consensos, mas o clomifeno permanece como resposta clássica em provas de residência.
A metformina não é um indutor de ovulação primário. Seu uso é indicado principalmente em pacientes com intolerância à glicose ou resistência insulínica comprovada. Em casos de resistência ao clomifeno, a adição de metformina pode melhorar as taxas de ovulação ao reduzir os níveis de insulina e, consequentemente, a produção de androgênios ovarianos, favorecendo um ambiente hormonal mais propício para a foliculogênese.
As gonadotrofinas são terapias de segunda linha. O principal risco em pacientes com SOP é a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHEO) e gestações múltiplas, devido à alta reserva folicular dessas pacientes. Por isso, o uso deve ser monitorado rigorosamente com ultrassonografia seriada para avaliar o crescimento folicular e ajustar as doses de forma cautelosa, geralmente utilizando protocolos step-up de baixa dose.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo