UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2019
Indivíduos com obesidade grau 3 (N = 252) foram randomizados para dois tipos de dietas: restrição de carboidratos ou restrição de gorduras. A análise estatística mostrou que os indivíduos que seguiram a dieta com restrição de carboidratos apresentaram perda média de peso de 5,8 kg (desvio padrão = 3,0 kg) enquanto aqueles submetidos à dieta com restrição de gorduras apresentaram perda média de peso de 3,5 kg (desvio padrão = 5,0 kg). Comparando- se a perda média de peso entre esses dois grupos obteve- se um valor de p = 0,003. Adotando- se um nível de significância de 5% (α=0,05), esse valor de p apresentado significa que:
Valor p < α (0,003 < 0,05) → Diferença estatisticamente significante; risco de erro tipo I = p.
Um valor p de 0,003, sendo menor que o nível de significância α de 0,05, indica que a diferença observada entre os grupos é estatisticamente significante. Isso significa que há uma baixa probabilidade de que essa diferença tenha ocorrido por acaso, e o risco de cometer um erro tipo I (falso positivo) é de 0,3%.
A bioestatística é uma ferramenta indispensável na medicina baseada em evidências, permitindo que profissionais de saúde interpretem criticamente os resultados de pesquisas. Um dos conceitos mais fundamentais é o valor p, que quantifica a força da evidência contra uma hipótese nula. A hipótese nula geralmente postula que não há diferença ou associação entre os grupos ou variáveis estudadas. No contexto de um estudo clínico, como o da questão, o valor p é utilizado para determinar se uma diferença observada entre dois grupos (neste caso, dietas) é estatisticamente significante. Adota-se um nível de significância (α), comumente 0,05 (ou 5%). Se o valor p calculado for menor que α, rejeita-se a hipótese nula, concluindo que a diferença é estatisticamente significante. O valor p de 0,003 na questão é menor que 0,05, indicando uma diferença significante. É crucial entender que o valor p não mede a magnitude do efeito ou a importância clínica, mas sim a probabilidade de que a diferença observada tenha ocorrido por acaso. Além disso, o valor p é o risco de cometer um erro tipo I, ou seja, de afirmar que existe uma diferença quando, na realidade, ela não existe. Para residentes, a interpretação correta do valor p é essencial para avaliar a validade e aplicabilidade dos estudos científicos na prática clínica.
Significa que a probabilidade de observar os resultados obtidos (ou resultados mais extremos) por puro acaso, sob a hipótese nula de não haver diferença, é muito baixa. Portanto, rejeita-se a hipótese nula e considera-se a diferença estatisticamente significante.
O valor p representa a probabilidade de cometer um erro tipo I (rejeitar a hipótese nula quando ela é verdadeira) se a hipótese nula fosse verdadeira. Quando p < α, o risco de erro tipo I é igual ao valor p.
Não necessariamente. A significância estatística indica que uma diferença provavelmente não é aleatória, mas a relevância clínica depende da magnitude dessa diferença e de seu impacto prático na saúde do paciente, o que o valor p por si só não informa.
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