Avaliação do Trauma Vascular e Uso do ITB

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Assinale a opção que apresenta um conceito diagnóstico ou terapêutico incompatível com a prática clínica adequada.

Alternativas

  1. A) Doentes com amputação traumática do membro inferior podem se beneficiar do uso de torniquetes.
  2. B) Abordagem gradual para o controle da hemorragia consiste na utilização de curativo compressivo, compressão direta da artéria proximal ao ferimento e caso a hemorragia persista, utilizar torniquete.
  3. C) A aplicação de clamp vascular em ferimentos abertos não é recomendado na sala de emergência.
  4. D) Índice tornozelo-braquial < 0,9, indica baixa probabilidade de lesão vascular.
  5. E) A parte amputada deve ser lavada, envolvida em gaze estéril umedecida, posteriormente em uma toalha estéril também umedecida, colocada em uma sacola plástica e transportada em um recipiente resfriado com gelo.

Pérola Clínica

ITB < 0,9 no trauma = Alta probabilidade de lesão vascular arterial → Investigar imediatamente.

Resumo-Chave

O ITB é um marcador sensível para lesão arterial no trauma; valores < 0,9 indicam necessidade de exames de imagem (AngioTC) ou exploração cirúrgica.

Contexto Educacional

O manejo do trauma vascular exige rapidez na identificação de lesões que ameaçam a vida ou o membro. O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é uma ferramenta diagnóstica não invasiva fundamental: divide-se a maior pressão sistólica do tornozelo pela maior pressão sistólica braquial. Um ITB < 0,9 possui alta sensibilidade para detectar lesões arteriais clinicamente significativas. Além disso, o controle de danos, incluindo o uso de torniquetes e shunts vasculares temporários, revolucionou a sobrevida em traumas complexos de extremidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais 'hard' de lesão vascular no trauma?

Os sinais 'hard' (ou maiores) de lesão vascular arterial são indicações clássicas de necessidade de intervenção cirúrgica imediata ou exploração. Eles incluem: sangramento arterial pulsátil ativo, hematoma pulsátil ou em expansão, ausência de pulsos distais, frêmito (thrill) ou sopro audível sobre o trajeto vascular, e sinais de isquemia aguda (os 6 Ps: palidez, dor, ausência de pulso, parestesia, paralisia e poiquilotermia). Na presença desses sinais, a investigação com ITB é secundária à necessidade de controle hemodinâmico e cirúrgico.

Como realizar o transporte correto de um membro amputado?

A parte amputada deve ser lavada com solução salina, envolvida em gaze estéril levemente umedecida e colocada em um saco plástico selado. Este saco deve então ser imerso em um recipiente contendo uma mistura de água e gelo (resfriamento indireto). O contato direto do membro com o gelo deve ser evitado, pois causa lesão tecidual por congelamento e inviabiliza a microanastomose. O tempo de isquemia fria é crucial para o sucesso do procedimento.

Qual o papel atual do torniquete no atendimento pré-hospitalar?

Atualmente, o torniquete é recomendado precocemente para o controle de hemorragias externas exanguinantes em extremidades que não respondem à pressão direta. O dogma antigo de que o torniquete causava perda inevitável do membro foi superado por evidências de conflitos militares e traumas civis, mostrando que o uso por até 2 horas é seguro e salva vidas. Deve ser aplicado proximalmente ao ferimento e o horário de aplicação deve ser registrado.

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