Índice Tornozelo-Braquial (ITB): Importância na Prática Clínica

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2017

Enunciado

Em um dia normal de trabalho, médicos de família e comunidade atendem a muitos casos diferentes. Certa manhã, determinado médico atendeu a quinze pacientes, entre os quais se encontravam os seguintes: (1) uma criança de cinco anos de idade com suspeita de abuso sexual, trazida pela mãe; (2) um idoso de sessenta e seis anos de idade, tabagista, com diabetes melito (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS); (3) uma mulher de vinte e três anos de idade, estudante universitária, que não tomava banho havia uma semana; (4) um bebê de uma semana de vida (5) e sua mãe, puérpera, para consulta normal; (6) um adolescente de dezessete anos de idade, com rolha de cera; (7) uma idosa de setenta e um anos de idade, com diabetes melito (DM) e obesa, com úlcera no membro inferior esquerdo, (8) e sua filha, e cuidadora, de quarenta e nove anos de idade, que não dormia regularmente havia um mês. Considerando esses casos clínicos, julgue o item a seguir. No exame da paciente 7, o médico deverá realizar o índice tornozelo braquial (ITB), que interfere no tratamento.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

ITB < 0,9 → Doença Arterial Periférica (DAP); ITB > 1,3 → Calcificação arterial (Mönckeberg).

Resumo-Chave

O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é uma ferramenta essencial na avaliação de feridas em membros inferiores, permitindo diferenciar etiologias vasculares e guiar o potencial de cicatrização.

Contexto Educacional

O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é um parâmetro hemodinâmico fundamental na avaliação vascular periférica. Na prática do Médico de Família, ele funciona como um preditor de doença aterosclerótica sistêmica e um guia para o manejo de feridas crônicas. Em pacientes com diabetes melito e úlceras, como o caso da paciente 7, o ITB é indispensável para identificar a Doença Arterial Periférica (DAP), que frequentemente coexiste com a neuropatia periférica. A identificação de um ITB baixo altera o tratamento, pois indica a necessidade de revascularização ou cuidados especializados para evitar amputações. Além disso, em casos de úlceras venosas, um ITB < 0,5 contraindica o uso de terapia compressiva elástica, que é o padrão-ouro para o tratamento venoso, evidenciando como esse índice interfere diretamente na segurança e eficácia das condutas clínicas.

Perguntas Frequentes

Como calcular o ITB?

O ITB é calculado dividindo-se a maior pressão arterial sistólica obtida nas artérias do tornozelo (pediosa ou tibial posterior) pela maior pressão arterial sistólica obtida em um dos braços (artéria braquial). Utiliza-se um esfigmomanômetro manual e um Doppler portátil para maior precisão.

Qual o valor de referência do ITB?

Valores entre 0,91 e 1,30 são considerados normais. Valores ≤ 0,90 confirmam o diagnóstico de Doença Arterial Periférica (DAP). Valores entre 0,41 e 0,90 indicam DAP leve a moderada, enquanto valores ≤ 0,40 indicam isquemia crítica. Valores > 1,30 sugerem calcificação arterial severa.

Quando o ITB é obrigatório na atenção primária?

O ITB deve ser realizado em qualquer paciente com úlcera de membro inferior para determinar a etiologia (arterial, venosa ou mista), em pacientes com sintomas de claudicação intermitente e como rastreamento em indivíduos de alto risco cardiovascular, especialmente diabéticos acima de 50 anos ou tabagistas.

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