HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024
A avaliação clínica perioperatória é descrita como análise clínica que objetiva quantificar o risco de complicações clínicas perioperatórias. Essa avaliação deve ser baseada em variáveis clínicas e em resultados de exames subsidiários (quando indicados) e deve considerar os riscos de complicações cardíacas e não cardíacas.Manual do residente de clínica médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. 3.ª ed. - Santana de Parnaíba/SP: Manole, 2023.Considerando o texto acima apenas de caráter informativo sobre avaliação clínica perioperatória bem como sua importância e seus assuntos correlatos, julgue:Pacientes com diabetes com uso de insulina e creatinina pré-operatória de 2,1 mg/dL tem Índice Revisado de Lee III.
Índice de Lee: DM com insulina + Cr > 2,0 mg/dL = 2 pontos (Classe III).
O Índice de Lee (RCRI) utiliza 6 variáveis preditoras; a presença de 2 critérios (como DM insulino-requerente e Cr > 2,0) classifica o paciente como Classe III, com risco moderado-alto.
A avaliação de risco cirúrgico é um pilar da medicina perioperatória. O Índice de Lee, ou Revised Cardiac Risk Index (RCRI), permanece como uma das ferramentas mais validadas e utilizadas devido à sua simplicidade e acurácia em predizer eventos cardíacos maiores em cirurgias não cardíacas. Identificar corretamente pacientes de Classe III ou IV permite ao clínico e ao anestesista otimizar a terapia medicamentosa (como o uso de estatinas ou manejo de betabloqueadores) e planejar o suporte pós-operatório em unidade de terapia intensiva, se necessário.
Os seis critérios preditores independentes de complicações cardíacas maiores no Índice de Lee (RCRI) são: 1. Cirurgia de alto risco (ex: intraperitoneal, intratorácica ou suprainguinal vascular); 2. História de doença isquêmica do coração; 3. História de insuficiência cardíaca congestiva; 4. História de doença cerebrovascular (AVC ou AIT); 5. Diabetes mellitus necessitando de tratamento com insulina; 6. Creatinina sérica pré-operatória superior a 2,0 mg/dL.
A classificação é baseada no número de critérios presentes: Classe I (0 pontos) indica risco muito baixo (0,4%); Classe II (1 ponto) indica risco baixo (0,9%); Classe III (2 pontos) indica risco moderado (6,6%); e Classe IV (3 ou mais pontos) indica risco elevado (>11%) de complicações cardíacas maiores, como infarto do miocárdio, edema agudo de pulmão ou parada cardiorrespiratória no perioperatório.
A creatinina acima de 2,0 mg/dL é um marcador de disfunção renal crônica, associado a doenças vasculares sistêmicas e pior prognóstico cardiovascular. Já o diabetes mellitus que requer insulina reflete geralmente uma doença de maior tempo de evolução ou pior controle glicêmico, o que aumenta a prevalência de aterosclerose coronariana subclínica e neuropatia autonômica, elevando o risco de eventos isquêmicos durante o estresse cirúrgico.
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