USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Menino, 1 ano e 6 meses de vida, está em acompanhamento ambulatorial devido a sibilância recorrente. O primeiro episódio foi com 7 meses de vida, iniciado por tosse, coriza e febre baixa, evoluindo com desconforto respiratório. Foi internado devido hipoxemia, recebeu alta hospitalar após dois dias com receitas de inalação com soro fisiológico e lavagem nasal. Ocorreram mais 5 episódios, nos quais ele recebeu prednisolona e inalações com salbutamol, sempre com boa resposta, e sem novas internações. O último episódio foi há 1 mês. A mãe notou que não é sempre que a sibilância é precedida por sintomas respiratórios virais. Refere que fica assintomático entre os episódios, sem limitações nas atividades do dia-a-dia. Sono tranquilo. João nasceu de termo, sem intercorrências, começou a frequentar a creche com 6 meses de vida. Mora com mãe, pai e irmão de 7 anos, todos sem comorbidades conhecidas. Apresenta ausculta pulmonar normal, a única alteração ao exame clínico é a presença de um eczema em face, acometendo maxilares e mento, poupando o maciço central da face, com xerodermia difusa. Baseado nos critérios de Castro-Rodriguez (Índice Preditivo de Asma) para diagnóstico de asma em lactentes, podemos afirmar que a probabilidade desta criança ter asma é:
IPA positivo: sibilância recorrente + dermatite atópica OU sibilância sem infecção viral → alta probabilidade de asma.
O Índice Preditivo de Asma (IPA de Castro-Rodriguez) é uma ferramenta clínica para prever o desenvolvimento de asma em crianças com sibilância recorrente <3 anos. A presença de um critério maior (diagnóstico de dermatite atópica, história familiar de asma) ou dois menores (sibilância não viral, eosinofilia, rinite alérgica) aumenta significativamente a probabilidade.
A sibilância recorrente em lactentes é um desafio diagnóstico comum na pediatria. Embora muitos episódios sejam desencadeados por infecções virais, é fundamental identificar aqueles com maior risco de desenvolver asma persistente. O Índice Preditivo de Asma (IPA de Castro-Rodriguez) é uma ferramenta valiosa para estratificar esse risco, auxiliando na decisão de iniciar terapias preventivas e no aconselhamento familiar. O IPA considera critérios maiores (diagnóstico de dermatite atópica, história familiar de asma em pais ou irmãos) e menores (sibilância não relacionada a resfriados, eosinofilia >4%, rinite alérgica). A presença de um critério maior ou dois menores confere alta probabilidade de asma. No caso, a criança tem dermatite atópica (critério maior) e sibilância sem desencadeante viral (critério menor), o que eleva a probabilidade de asma. O manejo da sibilância recorrente em crianças pequenas envolve a identificação dos gatilhos, o uso de broncodilatadores de curta ação para alívio dos sintomas e, em casos selecionados com alto risco de asma, a introdução de corticosteroides inalatórios para controle. O prognóstico varia, mas a identificação precoce e o manejo adequado podem melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbidade.
Os critérios maiores do IPA incluem diagnóstico de dermatite atópica no paciente e história familiar de asma em pais ou irmãos. A presença de um critério maior já indica alta probabilidade de asma.
Suspeite de asma em lactentes com sibilância recorrente, especialmente se houver boa resposta a broncodilatadores, sibilância sem desencadeante viral, ou fatores atópicos como dermatite e história familiar.
A dermatite atópica é um forte preditor do desenvolvimento de asma em crianças pequenas, sendo um dos critérios maiores do Índice Preditivo de Asma, indicando uma predisposição atópica geral.
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