Índice de Maturação: Diagnóstico de Atrofia Vaginal na Menopausa

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 47 anos se apresenta à consulta referindo que seus problemas de mudança de humor, insônia e secura vaginal são por causa da menopausa. Ela foi submetida a uma histerectomia há 10 anos por sangramento anormal, mas os ovários não foram retirados. Como ela não pode pagar por um perfil hormonal, realizamos o índice de maturação no seu esfregaço de Papanicolaou. Noventa por cento (90%) das células encontradas no seu esfregaço apresentam citoplasma espesso, redondo e núcleos vesiculares roliços, com padrão intacto da cromatina. O índice de maturação (IM) mais provável seria:

Alternativas

  1. A) 90/0/10.
  2. B) 90/10/0.
  3. C) 10/0/90.
  4. D) 10/90/0.
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores é correta.

Pérola Clínica

IM 90/10/0 (parabasal/intermediária/superficial) indica atrofia vaginal por deficiência estrogênica.

Resumo-Chave

O Índice de Maturação (IM) avalia o efeito estrogênico no epitélio vaginal através da proporção de células parabasais, intermediárias e superficiais. A predominância de células parabasais (90/10/0) indica uma acentuada deficiência de estrogênio, consistente com os sintomas de atrofia vaginal e menopausa, mesmo com ovários preservados (que podem ter função diminuída).

Contexto Educacional

O Índice de Maturação (IM) vaginal é uma ferramenta citológica simples e eficaz para avaliar o estado hormonal estrogênico do epitélio vaginal, sendo particularmente útil em situações onde a dosagem hormonal não é acessível ou para confirmar a resposta tecidual. Ele reflete a proporção de células epiteliais vaginais em diferentes estágios de maturação: parabasais (imaturas), intermediárias e superficiais (maduras). A predominância de células superficiais indica um bom efeito estrogênico, enquanto a predominância de células parabasais e intermediárias sugere deficiência estrogênica. No caso apresentado, a paciente de 47 anos, com queixas de mudança de humor, insônia e secura vaginal, apresenta um quadro clínico sugestivo de menopausa ou perimenopausa, mesmo com ovários preservados após histerectomia. A descrição das células no esfregaço de Papanicolaou, com 90% de células com citoplasma espesso, redondo e núcleos vesiculares roliços, é consistente com a predominância de células parabasais ou intermediárias, indicando uma acentuada deficiência de estrogênio. Um IM de 90/10/0 (parabasal/intermediária/superficial) corrobora essa interpretação, refletindo atrofia vaginal. Para residentes, a compreensão do IM é crucial para o diagnóstico e manejo de condições relacionadas à deficiência estrogênica, como a síndrome geniturinária da menopausa. É importante correlacionar os achados citológicos com a clínica da paciente e considerar que, mesmo com ovários preservados, a função ovariana pode declinar com a idade ou ser afetada por cirurgias prévias. A interpretação correta do IM permite guiar condutas terapêuticas, como a reposição hormonal local ou sistêmica, visando aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Como o Índice de Maturação (IM) é calculado e interpretado?

O IM é calculado pela contagem percentual de células parabasais, intermediárias e superficiais em um esfregaço vaginal. Um IM de 90/10/0, por exemplo, significa 90% de células parabasais, 10% de intermediárias e 0% de superficiais, indicando acentuada deficiência estrogênica e atrofia vaginal.

Quais são as características das células epiteliais vaginais em um estado de deficiência estrogênica?

Em deficiência estrogênica, predominam as células parabasais e intermediárias. As células parabasais são pequenas, redondas ou ovais, com citoplasma espesso e núcleos grandes. As intermediárias são maiores, com citoplasma mais abundante e núcleos vesiculares. Células superficiais, que indicam bom efeito estrogênico, são raras ou ausentes.

É possível ter sintomas de menopausa com ovários preservados?

Sim, é possível. Embora a histerectomia preserve os ovários, a função ovariana pode diminuir com a idade, levando a sintomas climatéricos e deficiência estrogênica. Além disso, a histerectomia pode, em alguns casos, afetar o suprimento sanguíneo ovariano, acelerando a falência ovariana.

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