UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente feminina, de 35 anos, consultou para tratamento de obesidade. Informou que seu peso usual era 63 kg até os 25 anos e que havia aumentado 20 kg na gestação. Mede 1,62 m e atualmente pesa 98 kg (IMC de 37,3 kg/m²). Não apresentava comorbidades, e o restante da anamnese e o exame físico não apontaram para causas secundárias de obesidade. Referiu trabalhar 8 horas/dia como designer de software, dormir cerca de 4 horas/noite e ser sedentária. Gostava de leite, frutas, verduras e legumes, mas havia parado com o consumo de leite e frutas, porque a nutricionista que ela seguia no Instagram afirmou ser o leite um alimento inflamatório e serem as frutas, por conterem frutose, causadoras de esteatose hepática. Por orientação dessa profissional, também substituiu o azeite de oliva por gordura de coco para cozinhar e estava colocando aveia nos alimentos para baixar o índice glicêmico das refeições. Assinale a assertiva que contempla a informação correta sobre nutrição divulgada pelo perfil do Instagram.
Aveia ↓ índice glicêmico; leite não é inflamatório universal; frutas não causam esteatose; azeite > gordura de coco.
A aveia é uma excelente fonte de fibra solúvel (beta-glucana) que retarda a absorção de glicose, reduzindo o índice glicêmico de uma refeição. Muitas informações nutricionais em redes sociais são desprovidas de base científica, como a demonização do leite ou frutas, ou a supervalorização da gordura de coco em detrimento do azeite de oliva.
A obesidade é uma doença crônica multifatorial, e seu tratamento envolve uma abordagem complexa que inclui mudanças no estilo de vida, dieta e, em alguns casos, intervenções farmacológicas ou cirúrgicas. No contexto nutricional, é crucial que as orientações sejam baseadas em evidências científicas sólidas, e não em modismos ou informações disseminadas sem rigor em redes sociais. A paciente do caso ilustra a confusão gerada pela desinformação nutricional. A aveia é um cereal integral reconhecido por seus benefícios à saúde, principalmente devido ao seu alto teor de fibras solúveis, como a beta-glucana. Essas fibras têm a capacidade de retardar o esvaziamento gástrico e a absorção de glicose, o que resulta em uma redução do índice glicêmico das refeições e contribui para o controle da glicemia e da saciedade. Por outro lado, a demonização de alimentos como o leite e as frutas, ou a supervalorização de outros como a gordura de coco, carece de embasamento científico. O leite, para a maioria das pessoas sem alergia ou intolerância, não é um alimento inflamatório. As frutas, apesar de conterem frutose, são ricas em vitaminas, minerais e fibras, e seu consumo moderado é benéfico, não sendo a causa primária de esteatose hepática, que está mais associada ao consumo excessivo de açúcares adicionados e gorduras saturadas. O azeite de oliva extra virgem, rico em gorduras monoinsaturadas, é superior à gordura de coco para cozinhar em termos de saúde cardiovascular.
Sim, a aveia é rica em fibras solúveis, como a beta-glucana, que formam um gel no trato digestivo, retardando a absorção de carboidratos e, consequentemente, reduzindo o índice glicêmico da refeição.
Não, a afirmação de que o leite é universalmente inflamatório não tem base científica sólida para a maioria das pessoas. A inflamação pode ocorrer em indivíduos com alergia à proteína do leite de vaca ou intolerância à lactose, mas não é uma regra geral.
O consumo excessivo de frutose isolada, especialmente de xaropes e alimentos processados, pode contribuir para a esteatose hepática. No entanto, a frutose presente nas frutas, em quantidades moderadas e acompanhada de fibras, não é um fator significativo para o desenvolvimento de esteatose.
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