HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Um paciente de 58 anos, com histórico de hepatite C crônica e cirrose hepática compensada, é avaliado para transplante hepático. Ele apresenta icterícia leve, ascite controlada com diuréticos e encefalopatia hepática leve, classificado como Classe B na Escala de Child-Pugh. Após a avaliação pré-transplante, o paciente apresenta-se estável, sem outras comorbidades significativas. Qual é o fator mais importante a ser considerado na seleção desse paciente para transplante hepático?
A principal indicação para transplante hepático é a cirrose descompensada, cujas manifestações (ascite, encefalopatia, hemorragia varicosa) são consequências diretas da hipertensão portal significativa.
A hipertensão portal é o motor fisiopatológico da descompensação na cirrose. Sua presença e gravidade, evidenciadas por complicações como ascite, varizes esofágicas e encefalopatia, são os principais gatilhos para a indicação do transplante hepático, refletindo a falência do órgão.
O transplante hepático é o tratamento definitivo para pacientes com doença hepática terminal, seja aguda ou crônica. A indicação mais comum é a cirrose hepática descompensada, independentemente da etiologia (álcool, vírus B e C, doença hepática gordurosa não alcoólica, etc.). A transição da fase compensada para a descompensada é o ponto de virada que sinaliza a necessidade de avaliação para o transplante. A fisiopatologia central da descompensação é a hipertensão portal significativa, definida como um gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) > 10 mmHg. Essa condição leva ao desenvolvimento das principais complicações: ascite, hemorragia por ruptura de varizes gastroesofágicas e encefalopatia hepática. A ocorrência de qualquer uma dessas complicações marca a descompensação e piora drasticamente o prognóstico, tornando o transplante uma consideração necessária. Para avaliar a gravidade e priorizar os pacientes na lista de espera, utiliza-se o escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease). Este escore utiliza creatinina, bilirrubina e INR para prever a mortalidade em curto prazo. Pacientes com MELD mais alto têm prioridade. A Escala de Child-Pugh, embora mais subjetiva, ainda é útil para avaliação prognóstica geral. Portanto, a presença de complicações da hipertensão portal é o principal fator para indicar o transplante, enquanto o escore MELD é a principal ferramenta para alocação do órgão.
As principais complicações que definem a cirrose descompensada e indicam transplante são: ascite refratária ou de difícil controle, peritonite bacteriana espontânea (PBE), hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas e encefalopatia hepática recorrente ou grave.
O escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) é um sistema de pontuação objetivo que prediz a mortalidade em 3 meses e é usado para alocar e priorizar pacientes na lista de espera. Ele utiliza valores laboratoriais de bilirrubina total, creatinina e INR.
A Escala de Child-Pugh é mais antiga e utiliza parâmetros clínicos subjetivos (ascite, encefalopatia) e laboratoriais para avaliar o prognóstico e a gravidade da cirrose, sendo útil à beira-leito. O MELD é um modelo matemático mais objetivo, usado primariamente para a alocação de órgãos na fila de transplante.
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