Transplante Hepático: Fatores de Seleção na Cirrose

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 58 anos, com histórico de hepatite C crônica e cirrose hepática compensada, é avaliado para transplante hepático. Ele apresenta icterícia leve, ascite controlada com diuréticos e encefalopatia hepática leve, classificado como Classe B na Escala de Child-Pugh. Após a avaliação pré-transplante, o paciente apresenta-se estável, sem outras comorbidades significativas. Qual é o fator mais importante a ser considerado na seleção desse paciente para transplante hepático?

Alternativas

  1. A) Presença de hipertensão portal significativa
  2. B) Idade do paciente
  3. C) Tempo de espera na lista de transplante
  4. D) Função renal do paciente
  5. E) Grau de encefalopatia hepática

Pérola Clínica

A principal indicação para transplante hepático é a cirrose descompensada, cujas manifestações (ascite, encefalopatia, hemorragia varicosa) são consequências diretas da hipertensão portal significativa.

Resumo-Chave

A hipertensão portal é o motor fisiopatológico da descompensação na cirrose. Sua presença e gravidade, evidenciadas por complicações como ascite, varizes esofágicas e encefalopatia, são os principais gatilhos para a indicação do transplante hepático, refletindo a falência do órgão.

Contexto Educacional

O transplante hepático é o tratamento definitivo para pacientes com doença hepática terminal, seja aguda ou crônica. A indicação mais comum é a cirrose hepática descompensada, independentemente da etiologia (álcool, vírus B e C, doença hepática gordurosa não alcoólica, etc.). A transição da fase compensada para a descompensada é o ponto de virada que sinaliza a necessidade de avaliação para o transplante. A fisiopatologia central da descompensação é a hipertensão portal significativa, definida como um gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) > 10 mmHg. Essa condição leva ao desenvolvimento das principais complicações: ascite, hemorragia por ruptura de varizes gastroesofágicas e encefalopatia hepática. A ocorrência de qualquer uma dessas complicações marca a descompensação e piora drasticamente o prognóstico, tornando o transplante uma consideração necessária. Para avaliar a gravidade e priorizar os pacientes na lista de espera, utiliza-se o escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease). Este escore utiliza creatinina, bilirrubina e INR para prever a mortalidade em curto prazo. Pacientes com MELD mais alto têm prioridade. A Escala de Child-Pugh, embora mais subjetiva, ainda é útil para avaliação prognóstica geral. Portanto, a presença de complicações da hipertensão portal é o principal fator para indicar o transplante, enquanto o escore MELD é a principal ferramenta para alocação do órgão.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais complicações da hipertensão portal que indicam transplante?

As principais complicações que definem a cirrose descompensada e indicam transplante são: ascite refratária ou de difícil controle, peritonite bacteriana espontânea (PBE), hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas e encefalopatia hepática recorrente ou grave.

Qual o papel do escore MELD na lista de transplante hepático?

O escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) é um sistema de pontuação objetivo que prediz a mortalidade em 3 meses e é usado para alocar e priorizar pacientes na lista de espera. Ele utiliza valores laboratoriais de bilirrubina total, creatinina e INR.

Como a Escala de Child-Pugh se diferencia do MELD?

A Escala de Child-Pugh é mais antiga e utiliza parâmetros clínicos subjetivos (ascite, encefalopatia) e laboratoriais para avaliar o prognóstico e a gravidade da cirrose, sendo útil à beira-leito. O MELD é um modelo matemático mais objetivo, usado primariamente para a alocação de órgãos na fila de transplante.

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