SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 30 anos de idade foi admitido na sala de emergência após colisão do próprio carro contra um poste. Ele queixava-se de dor abdominal intensa e estava consciente ao longo de todo o atendimento. Ao exame físico, verificaram-se distensão abdominal, equimoses na região abdominal superior e dor à palpação profunda no quadrante superior direito. Os sinais vitais revelaram FC = 110 bpm, FR = 22 irpm, PA = 90 mmHg X 60 mmHg e temperatura = 37 °C. Foram realizados exames de imagem, e a radiografia de abdome em decúbito dorsal mostrou gás livre no espaço subfrênico direito. O FAST demonstrou líquido livre na cavidade peritoneal. Com base nesse caso clínico e nos exames realizados, assinale a alternativa que indica a conduta mais apropriada.
Trauma abdominal + instabilidade hemodinâmica + gás livre subfrênico + líquido livre no FAST → Laparotomia exploratória imediata.
O paciente apresenta sinais claros de trauma abdominal grave com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), evidência de perfuração de víscera oca (gás livre subfrênico) e sangramento intra-abdominal (líquido livre no FAST). Esta combinação configura uma emergência cirúrgica absoluta, indicando laparotomia exploratória imediata.
O trauma abdominal é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes vítimas de trauma, sendo o trauma fechado o tipo mais comum em acidentes automobilísticos. A avaliação rápida e precisa é crucial para identificar lesões que requerem intervenção cirúrgica imediata. A importância clínica reside na capacidade de identificar e tratar lesões potencialmente fatais, como hemorragias maciças ou perfurações de vísceras ocas, que podem levar a choque hipovolêmico e sepse. A fisiopatologia do trauma abdominal fechado envolve forças de compressão e cisalhamento que podem causar lesões em órgãos sólidos (fígado, baço, rins) ou vísceras ocas (intestino, estômago). A presença de distensão abdominal, equimoses e dor à palpação são sinais de alerta. A instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia) é um indicador crítico de sangramento ativo. Achados como gás livre subfrênico na radiografia (indicando perfuração de víscera oca) e líquido livre na cavidade peritoneal no FAST (sugestivo de sangramento) são sinais inequívocos de lesão grave. Diante de um paciente com trauma abdominal, instabilidade hemodinâmica e evidências de lesão grave (gás livre e líquido livre), a laparotomia exploratória imediata é a conduta mais apropriada. A cirurgia visa controlar a hemorragia, reparar perfurações e prevenir complicações como peritonite e sepse. Exames adicionais, como a tomografia computadorizada, são reservados para pacientes hemodinamicamente estáveis, onde o tempo permite uma avaliação mais detalhada das lesões.
Instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), peritonite, evisceração, gás livre na cavidade abdominal (pneumoperitônio), líquido livre no FAST em paciente instável, ou lesões penetrantes com sinais de comprometimento peritoneal.
Gás livre subfrênico na radiografia de abdome é um sinal clássico de perfuração de víscera oca. Líquido livre na cavidade peritoneal detectado pelo FAST em um paciente instável é altamente sugestivo de sangramento intra-abdominal significativo, ambos indicando a necessidade de intervenção cirúrgica.
A TC abdominal é um exame valioso para avaliar o trauma abdominal, mas requer um paciente hemodinamicamente estável. Neste caso, a hipotensão e os achados de gás livre e líquido livre indicam uma emergência cirúrgica que não pode ser atrasada pela realização de uma TC.
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