Esplenectomia: Indicações em Distúrbios Medulares e Exceções

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

São indicações de esplenectomia relacionados aos distúrbios da medula óssea, exceto:

Alternativas

  1. A) Policitemia Vera
  2. B) Metaplasia mielóide agnogênica
  3. C) Trombocitemia essencial 
  4. D) Doença de Gaucher
  5. E) Nenhuma das alternativas acima está correta.

Pérola Clínica

Doença de Gaucher NÃO é indicação primária de esplenectomia por distúrbio medular; tratamento é enzimático.

Resumo-Chave

A esplenectomia é considerada em algumas doenças mieloproliferativas para controle de sintomas como esplenomegalia maciça, citopenias refratárias ou dor. No entanto, a Doença de Gaucher, uma doença de depósito lisossômico, tem tratamento específico com terapia de reposição enzimática, e a esplenectomia é reservada para complicações muito específicas e refratárias, não sendo uma indicação primária relacionada a distúrbios da medula óssea.

Contexto Educacional

A esplenectomia, remoção cirúrgica do baço, é um procedimento com indicações específicas, especialmente em doenças hematológicas. Em distúrbios da medula óssea, como as síndromes mieloproliferativas (Policitemia Vera, Metaplasia Mielóide Agnogênica, Trombocitemia Essencial), a esplenectomia pode ser considerada para manejar complicações como esplenomegalia maciça e dolorosa, hiperesplenismo com citopenias refratárias ou para aliviar a compressão de órgãos adjacentes. Nesses casos, o baço pode estar hiperfuncionante ou excessivamente aumentado, contribuindo para a patologia. No entanto, a Doença de Gaucher é uma exceção notável. Trata-se de uma doença de depósito lisossômico, causada pela deficiência da enzima glicocerebrosidase, levando ao acúmulo de glicocerebrosídeos em macrófagos de vários órgãos, incluindo o baço. Embora a esplenomegalia seja uma característica proeminente, a esplenectomia não é o tratamento de escolha e é geralmente evitada. O tratamento padrão é a terapia de reposição enzimática (TRE), que é altamente eficaz em reverter ou estabilizar a maioria das manifestações da doença. Para residentes, é fundamental diferenciar as indicações de esplenectomia. Enquanto em algumas doenças hematológicas a remoção do baço pode ser terapêutica ou paliativa, em doenças de depósito como a Doença de Gaucher, a esplenectomia é reservada para situações extremas e refratárias, como ruptura esplênica ou infarto, e sempre após falha da terapia enzimática. A compreensão dessa distinção é crucial para o manejo adequado e para evitar procedimentos desnecessários com seus riscos inerentes.

Perguntas Frequentes

Quando a esplenectomia é indicada em doenças mieloproliferativas?

A esplenectomia pode ser indicada em doenças mieloproliferativas, como Policitemia Vera ou Metaplasia Mielóide Agnogênica, para aliviar sintomas de esplenomegalia maciça e dolorosa, corrigir citopenias refratárias (anemia, trombocitopenia) causadas por hiperesplenismo, ou em casos de transformação para leucemia aguda.

Qual o tratamento principal para a Doença de Gaucher?

O tratamento principal para a Doença de Gaucher é a terapia de reposição enzimática (TRE), que substitui a enzima deficiente (glicocerebrosidase). Esta terapia ajuda a reduzir o acúmulo de substrato nos órgãos, melhorando a esplenomegalia, hepatomegalia, citopenias e manifestações ósseas.

Quais os riscos associados à esplenectomia?

Os riscos associados à esplenectomia incluem infecções graves por bactérias encapsuladas (principalmente Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b, Neisseria meningitidis), trombose venosa profunda, trombocitose pós-esplenectomia, hemorragia e lesão de órgãos adjacentes. A vacinação pré-operatória é crucial para reduzir o risco infeccioso.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo