Drenagem Torácica: Quando Indicar e Contraindicar?

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020

Enunciado

Qual das situações a seguir não representa critério para drenagem torácica "em selo d'água"?

Alternativas

  1. A) cardiopata com derrame pleural bilateral, maior à direita, evoluindo com insuficiência respiratória aguda
  2. B) paciente assintomático com derrame pleural a esclarecer; submetido a toracocentese diagnóstica com análise: pH = 7,16, DHL = 1.100U1/L, glicose = 5mg/dL, ADA = 50UI/L; celularidade: 70% neutrófilos, 28% linfócitos; sem crescimento no Gram; cultura negativa
  3. C) paciente com queixa de dor torácica à esquerda e diagnosticado com derrame pleural esquerdo; submetido a toracocentese diagnóstica: pH = 7,2, DHL = 8000I/L, glicose = 45mg/dL e celularidade com predomínio de neutrófilos; sem crescimento no Gram e com cresci-mento na cultura de Streptococcus pyogenes
  4. D) paciente com história de tosse produtiva, febre e dor torácica há 7 dias; realizou punção pleural sem análise bioquímica, mas com líquido turvo e fétido

Pérola Clínica

Drenagem torácica: Indicada para empiema, derrame parapneumônico complicado (pH<7.2, glicose<60, DHL>1000) ou líquido fétido.

Resumo-Chave

A drenagem torácica em selo d'água é um procedimento invasivo indicado para derrames pleurais que não respondem ao tratamento clínico ou que apresentam características de complicação, como empiema (pus na pleura) ou derrame parapneumônico complicado. Critérios bioquímicos do líquido pleural, como pH baixo, glicose baixa e DHL elevado, são cruciais para essa decisão, assim como a presença de bactérias ou odor fétido.

Contexto Educacional

A decisão de realizar uma drenagem torácica em selo d'água é crucial no manejo de pacientes com derrame pleural. É fundamental diferenciar derrames transudativos de exsudativos e, dentro dos exsudativos, identificar aqueles que são complicados ou purulentos (empiema), pois estes demandam intervenção invasiva. A análise do líquido pleural, incluindo pH, glicose, DHL, celularidade e cultura, é a ferramenta diagnóstica mais importante para essa diferenciação. Derrames pleurais transudativos, como os causados por insuficiência cardíaca congestiva, cirrose ou síndrome nefrótica, geralmente respondem ao tratamento da doença de base e raramente necessitam de drenagem. Por outro lado, derrames parapneumônicos complicados e empiemas, que resultam de infecções bacterianas, exigem drenagem para remover o pus, controlar a infecção e permitir a reexpansão pulmonar. A presença de líquido fétido é um sinal inequívoco de empiema. Para residentes, o domínio dos critérios para drenagem torácica é essencial para evitar procedimentos desnecessários em derrames transudativos e garantir a intervenção oportuna em derrames complicados, prevenindo morbidade e mortalidade. A compreensão da fisiopatologia do derrame pleural e a interpretação correta dos exames laboratoriais são pilares para uma conduta clínica adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para indicar drenagem torácica em derrame pleural?

A drenagem torácica é indicada para empiema (pus franco), derrame parapneumônico complicado (pH pleural < 7.20, glicose < 60 mg/dL, DHL > 1000 U/L), derrame pleural maligno sintomático e derrames traumáticos (hemotórax, pneumotórax).

Por que um derrame pleural em cardiopata geralmente não requer drenagem?

Derrames pleurais em cardiopatas são frequentemente transudativos, resultantes de insuficiência cardíaca congestiva. O tratamento primário é clínico, com diuréticos e otimização da função cardíaca. A drenagem é reservada para casos refratários ou com suspeita de complicação (exsudato).

Quais achados no líquido pleural sugerem empiema ou derrame parapneumônico complicado?

Achados como líquido turvo ou fétido, pH < 7.20, glicose < 60 mg/dL, DHL > 1000 U/L, predomínio de neutrófilos e cultura positiva para bactérias são fortes indicadores de empiema ou derrame parapneumônico complicado, que requerem drenagem.

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