TCE Leve: Quando Indicar Tomografia de Crânio?

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2016

Enunciado

A indicação de tomografia de crânio em pacientes com traumatismo cranioencefálico, hoje, deve ser bastante liberal. No entanto, você trabalha em local com poucos recursos e não tem condições de realizá-la deste modo, devendo selecionar os pacientes que encaminha para realizar o exame. Você atende 5 pacientes com trauma fechado, todos com trauma de crânio leve, mas só consegue autorização para transferir um dos pacientes para o serviço de referência que realiza o exame. Os outros quatro doentes devem ser tratados sem a tomografia. Você opta por transferir:

Alternativas

  1. A) Um homem de 33 anos, que caiu de um banquinho, não perdeu a consciência e temum ferimento cortocontuso no couro cabeludo, com sangramento moderado.
  2. B) Uma mulher de 23 anos, que bateu o carro em baixa velocidade, estava com cinto desegurança, acha que desmaiou, mas está plenamente consciente, não tem sinais externos de trauma e nega cefaleia.
  3. C) Um senhor de 72 anos que caiu da escada, diz que não perdeu a consciência, mas nãose lembra bem do que aconteceu e pergunta sempre as mesmas coisas (repetitivo), embora pareça entender o que lhe dizem e estar orientado quanto à sua vida.
  4. D) Um ciclista de 45 anos, que estava de capacete, e lembra-se muito bem da queda.
  5. E) Um homem de 62 anos, com hálito alcoólico, que caiu da própria altura e já teve um episódio de vômito no pronto-socorro.

Pérola Clínica

TCE leve em idoso com alteração de memória ou vômitos → TC de crânio.

Resumo-Chave

Em TCE leve, a presença de fatores de risco como idade avançada (>60-65 anos), amnésia pós-traumática, vômitos, uso de anticoagulantes ou mecanismo de trauma perigoso, mesmo com Glasgow 15, justifica a realização de TC de crânio.

Contexto Educacional

O traumatismo cranioencefálico (TCE) leve, definido por uma Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 13 a 15, é uma condição comum no pronto-socorro. Embora a maioria dos pacientes tenha um bom prognóstico, uma pequena porcentagem pode desenvolver lesões intracranianas graves. A indicação de tomografia de crânio (TC) é crucial para identificar esses casos, especialmente em ambientes com recursos limitados. Critérios como os de New Orleans e Canadian CT Head Rule auxiliam na seleção de pacientes com TCE leve que necessitam de TC. Fatores de risco importantes incluem idade avançada (>60-65 anos), vômitos, amnésia pós-traumática, cefaleia intensa, uso de anticoagulantes, convulsão pós-traumática e mecanismo de trauma perigoso. A presença de qualquer um desses fatores, mesmo com ECG 15, aumenta o risco de lesão intracraniana e justifica a realização do exame. É fundamental não subestimar alterações sutis do estado mental ou amnésia em idosos, pois podem mascarar lesões intracranianas significativas. A observação clínica é importante, mas a TC é o padrão ouro para exclusão de lesões. A decisão de transferir um paciente para TC deve priorizar aqueles com maior risco de deterioração neurológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para indicar TC de crânio em TCE leve?

Os principais critérios incluem idade >60-65 anos, vômitos, amnésia pós-traumática, cefaleia intensa, uso de anticoagulantes, convulsão pós-traumática e mecanismo de trauma perigoso, mesmo com Glasgow 15.

Por que a idade avançada é um fator de risco importante no TCE leve?

Pacientes idosos têm maior fragilidade cerebral, maior risco de atrofia cerebral e vasos mais frágeis, o que os torna mais suscetíveis a lesões intracranianas significativas com traumas de menor energia.

Como a amnésia pós-traumática influencia a decisão de realizar TC?

A amnésia pós-traumática, especialmente a anterógrada (não lembrar o que aconteceu após o trauma), é um sinal de disfunção cerebral e um critério importante para a realização de TC de crânio, indicando maior risco de lesão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo