Marcapasso em Doenças Neuromusculares: Indicação Precoce

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025

Enunciado

Nos pacientes com doenças neuromusculares, a espera pela documentação de BAVT pode resultar em significante risco de morte súbita ou síncope:

Alternativas

  1. A) Por isso, o implante de MP definitivo deve ser considerado precocemente no curso da doença neuromuscular, assim que houver qualquer anormalidade da condução, mesmo em assintomáticos.
  2. B) Por isso, o implante de MP definitivo deve ser considerado somente tardiamente no curso da doença neuromuscular, assim que houver qualquer anormalidade da condução, mesmo em assintomáticos.
  3. C) Por isso, o implante de MP definitivo nunca deve ser considerado precocemente no curso da doença neuromuscular, assim que houver qualquer anormalidade da condução, mesmo em assintomáticos.
  4. D) Por isso, o implante de MP definitivo deve ser considerado precocemente no curso da doença neuromuscular, assim que houver qualquer anormalidade da condução, somente em assintomáticos.

Pérola Clínica

Doença neuromuscular + qualquer distúrbio de condução → Considerar MP definitivo precoce, mesmo assintomático, pelo risco de BAVT súbito.

Resumo-Chave

Em pacientes com certas doenças neuromusculares, a progressão para bloqueio atrioventricular de alto grau pode ser rápida e imprevisível. Por isso, o limiar para o implante de marcapasso definitivo é mais baixo, sendo indicado precocemente na presença de distúrbios de condução, mesmo em pacientes assintomáticos, para prevenir morte súbita.

Contexto Educacional

O acometimento cardíaco é uma causa significativa de morbimortalidade em diversas doenças neuromusculares hereditárias, como a Distrofia Miotônica de Steinert, a Distrofia de Emery-Dreifuss e a Distrofia de Duchenne. A principal manifestação é uma doença progressiva e fibrótica do sistema de condução, que pode levar a bradiarritmias graves e bloqueio atrioventricular total (BAVT). A progressão da doença de condução nesses pacientes é frequentemente insidiosa e imprevisível, e a morte súbita pode ser a primeira manifestação de um BAVT. Por essa razão, a vigilância cardiológica com ECG e Holter seriados é fundamental para todos os pacientes diagnosticados com essas condições, mesmo que assintomáticos do ponto de vista cardiológico. As diretrizes atuais de estimulação cardíaca recomendam uma abordagem proativa e um limiar mais baixo para o implante de marcapasso definitivo neste grupo de pacientes. O dispositivo deve ser considerado precocemente, mesmo em pacientes assintomáticos, na presença de qualquer distúrbio de condução significativo (ex: BAV de 1º grau com QRS largo, bloqueio bifascicular, ou um intervalo HV > 100 ms no estudo eletrofisiológico). Esperar por sintomas como síncope ou pela documentação de BAV de alto grau pode expor o paciente a um risco inaceitável de morte súbita.

Perguntas Frequentes

Quais doenças neuromusculares têm maior risco de BAVT e morte súbita?

As principais são a Distrofia Miotônica de Steinert (tipo 1), a Distrofia Muscular de Emery-Dreifuss, a Distrofia Muscular de Duchenne e Becker, e a Ataxia de Friedreich. Todas podem levar a uma doença fibrótica progressiva do sistema de condução cardíaco.

Qual a indicação de marcapasso em um paciente com Distrofia Miotônica e BAV de 1º grau?

Em um paciente com Distrofia Miotônica de Steinert, um BAV de 1º grau, especialmente se associado a um QRS alargado ou bloqueio de ramo, já é uma indicação forte (classe IIa) para considerar o implante de marcapasso definitivo, devido ao alto risco de progressão imprevisível para BAVT.

Além do marcapasso, qual outro dispositivo pode ser necessário nesses pacientes?

Muitos pacientes com doenças neuromusculares também desenvolvem cardiomiopatia dilatada com disfunção sistólica. Nesses casos, se a fração de ejeção for muito reduzida, pode haver indicação de um cardiodesfibrilador implantável (CDI) para prevenção de morte súbita por arritmias ventriculares.

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