HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
Nos pacientes com doenças neuromusculares, a espera pela documentação de BAVT pode resultar em significante risco de morte súbita ou síncope:
Doença neuromuscular + qualquer distúrbio de condução → Considerar MP definitivo precoce, mesmo assintomático, pelo risco de BAVT súbito.
Em pacientes com certas doenças neuromusculares, a progressão para bloqueio atrioventricular de alto grau pode ser rápida e imprevisível. Por isso, o limiar para o implante de marcapasso definitivo é mais baixo, sendo indicado precocemente na presença de distúrbios de condução, mesmo em pacientes assintomáticos, para prevenir morte súbita.
O acometimento cardíaco é uma causa significativa de morbimortalidade em diversas doenças neuromusculares hereditárias, como a Distrofia Miotônica de Steinert, a Distrofia de Emery-Dreifuss e a Distrofia de Duchenne. A principal manifestação é uma doença progressiva e fibrótica do sistema de condução, que pode levar a bradiarritmias graves e bloqueio atrioventricular total (BAVT). A progressão da doença de condução nesses pacientes é frequentemente insidiosa e imprevisível, e a morte súbita pode ser a primeira manifestação de um BAVT. Por essa razão, a vigilância cardiológica com ECG e Holter seriados é fundamental para todos os pacientes diagnosticados com essas condições, mesmo que assintomáticos do ponto de vista cardiológico. As diretrizes atuais de estimulação cardíaca recomendam uma abordagem proativa e um limiar mais baixo para o implante de marcapasso definitivo neste grupo de pacientes. O dispositivo deve ser considerado precocemente, mesmo em pacientes assintomáticos, na presença de qualquer distúrbio de condução significativo (ex: BAV de 1º grau com QRS largo, bloqueio bifascicular, ou um intervalo HV > 100 ms no estudo eletrofisiológico). Esperar por sintomas como síncope ou pela documentação de BAV de alto grau pode expor o paciente a um risco inaceitável de morte súbita.
As principais são a Distrofia Miotônica de Steinert (tipo 1), a Distrofia Muscular de Emery-Dreifuss, a Distrofia Muscular de Duchenne e Becker, e a Ataxia de Friedreich. Todas podem levar a uma doença fibrótica progressiva do sistema de condução cardíaco.
Em um paciente com Distrofia Miotônica de Steinert, um BAV de 1º grau, especialmente se associado a um QRS alargado ou bloqueio de ramo, já é uma indicação forte (classe IIa) para considerar o implante de marcapasso definitivo, devido ao alto risco de progressão imprevisível para BAVT.
Muitos pacientes com doenças neuromusculares também desenvolvem cardiomiopatia dilatada com disfunção sistólica. Nesses casos, se a fração de ejeção for muito reduzida, pode haver indicação de um cardiodesfibrilador implantável (CDI) para prevenção de morte súbita por arritmias ventriculares.
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