Trauma Esplênico: Indicação Cirúrgica em Pacientes Complexos

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

Qual dos pacientes é o candidato a uma indicação imediata de tratamento cirúrgico no trauma esplênico?

Alternativas

  1. A) Homem, 48 anos, atropelado com lesão esplênica grau IV, sem extravasamento de contraste pela Tomografia de abdômen contrastada e pela arteriografia (sem blush), internado na UTI estável hemodinamicamente após 02 concentrados de hemácias.
  2. B) Um homem de 37 anos, HIV positivo, com lesão esplênica grau III, após agressão física, e dor isolada moderada no hipocôndrio esquerdo.
  3. C) Uma criança de 8 anos com FC= 115 bpm e com lesão esplênica grau III após queda de altura.
  4. D) Uma mulher 65 anos com lesão esplênica grau II após ter sido atropelada e está com fibrilação atrial aguda, que foi iniciada reversão.
  5. E) Um homem de 25 anos com lesão esplênica grau III após queda de bicicleta e está com FC= 125 bpm, apesar de receber 1 unidade de hemácias.

Pérola Clínica

Trauma esplênico + instabilidade hemodinâmica por comorbidade grave (ex: FA aguda) em idoso → considerar cirurgia precoce.

Resumo-Chave

Pacientes idosos com trauma esplênico e comorbidades agudas, como fibrilação atrial necessitando reversão, podem apresentar maior risco de descompensação hemodinâmica e complicações, tornando a intervenção cirúrgica mais precoce uma opção para estabilização e controle do sangramento, mesmo em lesões de menor grau.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é uma das lesões de órgão sólido mais comuns em traumas abdominais fechados. A decisão entre manejo conservador e cirúrgico é crucial e baseia-se principalmente na estabilidade hemodinâmica do paciente. A maioria das lesões esplênicas pode ser tratada de forma não operatória, especialmente em pacientes jovens e hemodinamicamente estáveis, com taxas de sucesso que chegam a 90%. A avaliação hemodinâmica é o pilar da decisão. Pacientes hemodinamicamente instáveis, que não respondem à ressuscitação volêmica inicial (cristaloides e/ou hemácias), são candidatos à laparotomia exploradora. Fatores como idade avançada e comorbidades preexistentes, como doenças cardíacas (ex: fibrilação atrial), podem complicar o quadro e diminuir a reserva fisiológica do paciente, tornando-o mais propenso à descompensação e aumentando o risco de falha do tratamento conservador. Nesses casos complexos, a presença de uma comorbidade aguda que cause instabilidade (como uma fibrilação atrial necessitando reversão) pode ser um fator decisivo para indicar a cirurgia, mesmo para lesões esplênicas de graus mais baixos. A necessidade de anticoagulação para a fibrilação atrial, por exemplo, pode ser uma contraindicação relativa ao manejo conservador devido ao risco aumentado de sangramento. Portanto, a avaliação deve ser individualizada, considerando o estado geral do paciente e o risco-benefício de cada abordagem.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações absolutas para cirurgia no trauma esplênico?

As indicações absolutas incluem instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, peritonite, evisceração, pneumoperitônio e lesões vasculares com sangramento ativo não controlável por métodos menos invasivos.

Como a idade e comorbidades afetam o manejo do trauma esplênico?

Pacientes idosos e com comorbidades (ex: cardiopatias, uso de anticoagulantes) têm menor reserva fisiológica e maior risco de descompensação. Isso pode levar a uma abordagem mais agressiva, incluindo cirurgia precoce, mesmo para lesões de menor grau.

A fibrilação atrial aguda é uma contraindicação ao manejo conservador do trauma esplênico?

Não necessariamente uma contraindicação direta, mas a fibrilação atrial aguda, especialmente se causar instabilidade hemodinâmica ou exigir anticoagulação, pode complicar o manejo conservador e aumentar o risco de sangramento, influenciando a decisão por cirurgia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo