SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Um homem de 41 anos foi atendido em consulta ambulatorial com histórico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). O paciente relata uma longa história de sintomas (pelo menos oito anos) de epigastralgia e faz uso regular diário de 20 mg de omeprazol. A medicação alivia os sintomas de forma eficaz, porém, se falhar uma dose, tem retorno dos sintomas. Ele nega disfagia, náusea, vômitos, sangue nas fezes ou perda de peso involuntária. Ele não tem outras condições médicas crônicas e não toma outros medicamentos. Ele é não fumante, ingere álcool.com moderação e não tem histórico familiar de câncer gastrointestinal. A endoscopia digestiva alta revelou esofagite grau I e a phmetria esofágica de 24 horas comprovou refluxo gastroesofágico anormal. Acerca da situação clínica exposta, pode-se afirmar que:
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Afeta uma parcela significativa da população e, embora o tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons (IBP) seja eficaz para a maioria, uma subpopulação de pacientes pode necessitar de abordagens alternativas, incluindo a cirurgia. A compreensão das indicações cirúrgicas é crucial para a prática médica e para as provas de residência. O diagnóstico da DRGE é frequentemente clínico, baseado nos sintomas típicos como pirose e regurgitação. No entanto, em casos de sintomas atípicos, falha do tratamento clínico ou antes de considerar a cirurgia, exames complementares como a endoscopia digestiva alta e a pHmetria esofágica são fundamentais. A pHmetria objetiva o refluxo, enquanto a endoscopia avalia a presença e o grau de esofagite e outras complicações, como o esôfago de Barrett. Para pacientes jovens com DRGE crônica, dependência de IBP para controle sintomático e refluxo objetivamente comprovado, a fundoplicatura laparoscópica surge como uma opção terapêutica eficaz e duradoura. A cirurgia visa restaurar a barreira antirrefluxo, reduzindo a exposição esofágica ao ácido e melhorando a qualidade de vida. É importante ressaltar que a decisão cirúrgica deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios, e sempre após uma avaliação completa.
A cirurgia é indicada para pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico otimizado, dependência de IBP para controle sintomático, presença de complicações (esofagite grave, estenose), ou refluxo comprovado objetivamente (pHmetria) em pacientes que desejam evitar a medicação a longo prazo.
A pHmetria esofágica de 24 horas é o padrão-ouro para o diagnóstico objetivo da DRGE, quantificando a exposição ácida do esôfago e correlacionando-a com os sintomas. É crucial para confirmar o refluxo em pacientes com sintomas atípicos ou antes da cirurgia.
A fundoplicatura é o procedimento cirúrgico mais comum para DRGE. Existem variações como a fundoplicatura de Nissen (total, 360 graus) e as fundoplicaturas parciais (Toupet posterior, Dor anterior), escolhidas com base nas características do paciente e da doença.
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