SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Alguns pacientes podem apresentar taquiarritmias ventriculares tardias após infarto agudo do miocárdio e receberem indicação de implante de cardioversor-desfibrilador (CDI). Assinale a alternativa correta em relação ao implante de CDI:
CDI para prevenção primária pós-IAM: indicado se FEVE ≤ 35% após 40 dias do evento e otimização da terapia clínica.
A indicação de cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) para prevenção primária pós-infarto não é imediata. É crucial aguardar pelo menos 40 dias para permitir a recuperação do miocárdio atordoado ('stunning') e a otimização da terapia medicamentosa, que podem melhorar a fração de ejeção e tornar o implante desnecessário.
O infarto agudo do miocárdio (IAM) pode deixar uma cicatriz fibrótica no músculo cardíaco, que serve como substrato para arritmias ventriculares malignas tardias, como a taquicardia ventricular (TV) e a fibrilação ventricular (FV), principais causas de morte súbita cardíaca. O cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) é um dispositivo eficaz na detecção e tratamento dessas arritmias, salvando vidas. A indicação de CDI para prevenção primária (em pacientes que nunca tiveram uma arritmia fatal, mas têm alto risco) baseia-se principalmente na disfunção ventricular esquerda grave, tipicamente uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%. No entanto, após um IAM, a FEVE pode estar temporariamente deprimida devido ao 'miocárdio atordoado' (stunning), uma disfunção contrátil reversível. Com o tempo e a terapia medicamentosa otimizada (TMO), a função ventricular pode se recuperar. Por essa razão, as diretrizes internacionais estabelecem um período de espera de pelo menos 40 dias após o IAM para reavaliar a FEVE. Se, após esse período e com o paciente em TMO, a FEVE permanecer ≤ 35% e o paciente tiver uma expectativa de vida razoável (geralmente > 1 ano), o implante do CDI está indicado. Essa espera evita procedimentos desnecessários em pacientes cuja função cardíaca melhora espontaneamente.
Este período permite a recuperação do miocárdio atordoado ('stunned myocardium') e o efeito da terapia clínica otimizada (IECA/BRA, betabloqueador, etc.). A fração de ejeção (FEVE) pode melhorar significativamente nesse tempo, e se atingir valores acima de 35-40%, o CDI para prevenção primária pode não ser mais necessário.
Prevenção primária é para pacientes com alto risco de morte súbita (ex: FEVE muito baixa), mas que nunca tiveram um evento arrítmico grave. Prevenção secundária é para pacientes que já sobreviveram a uma parada cardíaca por Fibrilação Ventricular ou Taquicardia Ventricular sustentada, indicando que o dispositivo é necessário para prevenir um novo evento.
Não necessariamente. A fibrilação ventricular (FV) que ocorre nas primeiras 48 horas de um IAM é considerada um evento elétrico agudo relacionado à isquemia e não implica um risco aumentado de arritmias tardias. Portanto, não é uma indicação isolada para CDI de prevenção secundária.
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