NASH e Fibrose Hepática: Quando Indicar Biópsia?

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2023

Enunciado

Considere um paciente de 51 anos de idade, obeso (IMC de 32), portador de síndrome metabólica e intolerante à glicose (glicemia de jejum de 112 mg). Sorologias negativas para hepatites virais, sem história de abuso etílico, com exames negativos para doenças autoimunes e metabólicas familiares do fígado. Exames bioquímicos com enzimas hepáticas normais, elevação de triglicerídeos (198 mg), LDL de 186 mg, queda de HDL (38 mg) e elastografia hepática pelo FibroScan® de 9,6 kPa.A conduta para esse paciente é

Alternativas

  1. A) acompanhar as enzimas hepáticas por mais seis meses.
  2. B) indicar a biopsia hepática.
  3. C) repetir FibroScan® em dois anos.
  4. D) iniciar tratamento com pioglitazona e vitamina E.

Pérola Clínica

FibroScan > 8 kPa em paciente com síndrome metabólica → considerar biópsia hepática para estadiamento de fibrose.

Resumo-Chave

Um FibroScan com valor elevado (geralmente > 8 kPa) em pacientes com fatores de risco para NASH, como síndrome metabólica e intolerância à glicose, sugere fibrose hepática significativa (F3 ou F4). Nesses casos, a biópsia hepática é indicada para confirmar o diagnóstico de NASH e estadiar a fibrose, orientando a conduta terapêutica.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (NAFLD) é a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, com sua forma mais grave, a Esteato-hepatite Não Alcoólica (NASH), podendo progredir para cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. A prevalência está intrinsecamente ligada à epidemia de obesidade e síndrome metabólica, tornando seu reconhecimento e manejo cruciais na prática clínica. O diagnóstico de NASH requer a exclusão de outras causas de doença hepática e a demonstração histológica de esteato-hepatite. Embora a biópsia seja o padrão-ouro, métodos não invasivos como a elastografia hepática (FibroScan) são utilizados para rastrear e estadiar a fibrose. Valores de FibroScan acima de 8 kPa em pacientes com fatores de risco para NASH são altamente sugestivos de fibrose avançada (F3-F4), mesmo na presença de enzimas hepáticas normais. Nesses casos de fibrose avançada suspeita por métodos não invasivos, a biópsia hepática é indicada para confirmar o diagnóstico de NASH, estadiar precisamente a fibrose e guiar as decisões terapêuticas, que podem incluir modificações de estilo de vida, controle rigoroso da síndrome metabólica e, em casos selecionados, terapias farmacológicas como pioglitazona e vitamina E (embora a questão sugira biópsia antes do tratamento).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de NASH?

Os principais fatores de risco para NASH incluem obesidade, síndrome metabólica (hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina/diabetes tipo 2) e intolerância à glicose.

Qual o significado de um FibroScan de 9,6 kPa em um paciente com síndrome metabólica?

Um FibroScan de 9,6 kPa sugere fibrose hepática significativa, geralmente F3 (fibrose avançada) ou F4 (cirrose), em pacientes com fatores de risco para NASH, indicando a necessidade de investigação adicional.

Por que a biópsia hepática é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento da NASH?

A biópsia hepática permite avaliar a presença de esteato-hepatite (inflamação e balonização hepatocitária) e estadiar com precisão o grau de fibrose, informações cruciais para o prognóstico e manejo que não são totalmente fornecidas por métodos não invasivos.

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