Incontinentia Pigmenti: Herança e Letalidade Masculina

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 28 anos procura aconselhamento genético devido a lesões cutâneas lineares hiperpigmentadas que seguem as linhas de Blaschko, presentes desde a infância após uma fase vesicular. Ao revisar sua história reprodutiva, ela relata ter tido dois abortos espontâneos de fetos do sexo masculino no segundo trimestre de gestação. Atualmente, possui uma filha de 4 anos que apresenta alterações dentárias e as mesmas manchas cutâneas. A mãe da paciente também apresenta um histórico de hiperpigmentação residual em membros inferiores. Considerando o padrão de herança e a história clínica apresentada, qual o mecanismo genético que melhor explica a ausência de homens afetados vivos nesta linhagem familiar?

Alternativas

  1. A) Herança autossômica dominante com expressão limitada ao sexo feminino.
  2. B) Herança ligada ao X recessiva com inativação preferencial do cromossomo X.
  3. C) Herança ligada ao X dominante com letalidade embrionária masculina.
  4. D) Herança mitocondrial com efeito de gargalo germinativo severo.

Pérola Clínica

História de 'várias mulheres afetadas na família' + 'múltiplos abortos espontâneos masculinos' = Pensar em Herança Dominante Ligada ao X com letalidade masculina.

Contexto Educacional

A Incontinentia Pigmenti (Síndrome de Bloch-Sulzberger) é uma condição genética rara causada por mutações de perda de função no gene IKBKG (antigo NEMO). O padrão de herança é ligado ao X dominante. Em homens (46,XY), a ausência de um alelo funcional é letal, resultando em abortos espontâneos precoces, o que explica a predominância quase exclusiva em mulheres e a história familiar de perdas gestacionais masculinas. Nas mulheres (46,XX), a sobrevivência é possível devido ao fenômeno de Lyonização (inativação aleatória do cromossomo X). As células que mantêm o X mutante ativo sofrem apoptose, enquanto as células com o X selvagem ativo proliferam, gerando um mosaicismo funcional. Clinicamente, isso se manifesta como lesões cutâneas que evoluem em estágios e seguem as linhas de Blaschko, refletindo a distribuição das linhagens celulares afetadas. Além das manifestações dermatológicas, a síndrome pode envolver anexos (alopecia, distrofia ungueal, hipodontia) e sistemas ocular e neurológico. O diagnóstico é clínico, reforçado pela história familiar e confirmado por testes genéticos. Para o residente, é vital reconhecer o padrão de herança dominante ligado ao X com letalidade masculina como diferencial em casos de abortos seletivos por sexo e lesões cutâneas lineares.

Perguntas Frequentes

Por que as lesões seguem as linhas de Blaschko?

Porque elas representam o caminho de migração das células durante o desenvolvimento embrionário, evidenciando o mosaicismo resultante da inativação aleatória do cromossomo X.

Um homem pode nascer vivo com essa condição?

Raramente, apenas se ele tiver Síndrome de Klinefelter (47,XXY) ou se for um caso de mosaicismo somático.

Qual o risco de uma mulher afetada ter uma filha afetada?

50% de chance para cada filha nascida viva.

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