UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 62 anos consultou por perda urinária aos pequenos esforços. Embora não houvesse urgência urinária, relatou não conseguir segurar a urina até chegar ao banheiro. Informou fazer uso de losartana, hidroclorotiazida e insulina há mais de 10 anos. Ao exame, não havia distopia urinária, mas, sim, perda no pequeno esforço à manobra de Valsalva, pressão de perda de 80 cmH₂O e resíduo urinário de 400 ml. Seu IMC era de 34 kg/m². O diagnóstico mais provável é incontinência urinária
Incontinência por transbordamento: Resíduo urinário > 200 mL + perda por esforço/urgência.
A incontinência urinária por transbordamento é caracterizada pela incapacidade da bexiga de esvaziar-se completamente, levando ao acúmulo de urina e posterior extravasamento quando a pressão intravesical excede a resistência uretral. O alto resíduo urinário (400 ml) é o achado chave que aponta para este diagnóstico, mesmo com sintomas mistos de esforço e urgência.
A incontinência urinária por transbordamento é uma condição em que a bexiga não consegue esvaziar-se completamente, levando ao acúmulo de urina e subsequente extravasamento involuntário. É mais comum em idosos e pode ser subdiagnosticada devido à sobreposição de sintomas com outros tipos de incontinência. Compreender sua fisiopatologia e diagnóstico é fundamental para um manejo adequado e para evitar complicações como infecções urinárias de repetição e hidronefrose. A fisiopatologia envolve uma obstrução à saída da bexiga ou uma contratilidade deficiente do músculo detrusor. No caso apresentado, o resíduo urinário de 400 ml é o dado mais relevante, indicando uma retenção urinária crônica. Embora a paciente relate perda aos pequenos esforços, a presença de um resíduo tão elevado sugere que a bexiga está cronicamente cheia e a perda ocorre por transbordamento. A manobra de Valsalva pode precipitar a perda em uma bexiga já sob alta pressão. O tratamento visa corrigir a causa subjacente, seja ela obstrutiva (cirurgia para HPB, correção de prolapso) ou funcional (cateterismo intermitente, manejo de medicamentos). É essencial revisar a medicação do paciente, pois alguns fármacos (como anticolinérgicos) podem agravar a retenção. A perda de peso também é uma medida auxiliar importante para pacientes com obesidade. O manejo adequado melhora significativamente a qualidade de vida e previne complicações renais.
Os sintomas da incontinência urinária por transbordamento podem ser variados, incluindo perda urinária contínua ou intermitente, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, gotejamento pós-miccional e, paradoxalmente, sintomas de urgência ou esforço devido à bexiga cronicamente distendida.
O resíduo urinário pós-miccional é um parâmetro crucial. Um volume elevado (geralmente > 200 mL) é altamente sugestivo de esvaziamento incompleto da bexiga, sendo o principal indicador da incontinência por transbordamento e diferenciando-a de outros tipos de incontinência.
As causas podem ser obstrutivas, como hiperplasia prostática benigna em homens ou prolapso de órgãos pélvicos em mulheres, ou não obstrutivas, como disfunção do detrusor (bexiga hipoativa) devido a neuropatias (diabetes, lesão medular) ou efeitos colaterais de medicamentos.
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