Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Ana Maria, de 56 anos de idade, G2P2A0, queixa-se de urgência miccional, noctúria e perda urinária aos grandes esforços. Refere cirurgia anterior (Burch) para correção da incontinência urinária, com recidiva dos sintomas há dois anos. Exame físico: distopia de parede vaginal anteriorestádio 1 e teste de esforço positivo. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que a conduta será
Incontinência mista/recidivante → Estudo urodinâmico + Fisioterapia + Antimuscarínicos para urgência.
Em casos de incontinência urinária mista (esforço e urgência), especialmente com recidiva após cirurgia e sintomas de hiperatividade detrusora (urgência, noctúria), a conduta inicial deve incluir estudo urodinâmico para melhor caracterização, fisioterapia do assoalho pélvico e drogas antimuscarínicas para o componente de urgência.
A incontinência urinária é uma condição comum, especialmente em mulheres multíparas e na pós-menopausa, impactando significativamente a qualidade de vida. O caso apresentado descreve uma incontinência urinária mista (urgência, noctúria e perda aos grandes esforços) com recidiva após cirurgia prévia (Burch), o que torna a abordagem mais complexa e exige uma investigação aprofundada. A presença de urgência miccional e noctúria sugere um componente de hiperatividade detrusora (incontinência de urgência), enquanto a perda aos grandes esforços e o teste de esforço positivo indicam um componente de incontinência urinária de esforço. A recidiva após uma cirurgia como a de Burch, que visa corrigir a IUE, reforça a necessidade de reavaliação completa. A distopia de parede vaginal anterior estágio 1 é um achado comum, mas que, neste estágio, geralmente não é a principal causa da incontinência grave. Diante desse cenário, a conduta mais adequada envolve a realização de um estudo urodinâmico para uma avaliação funcional detalhada do trato urinário inferior, permitindo identificar a predominância dos componentes de esforço e/ou urgência. O tratamento deve ser multimodal, combinando fisioterapia do assoalho pélvico para fortalecer a musculatura e drogas antimuscarínicas para controlar a hiperatividade detrusora. A cirurgia de sling, embora uma opção para IUE, deve ser considerada após a otimização do tratamento clínico e uma avaliação urodinâmica completa, especialmente em casos de recidiva.
O estudo urodinâmico é crucial para avaliar a função da bexiga e da uretra, diferenciando e quantificando os componentes de incontinência urinária de esforço (IUE) e de urgência (IUU). Em casos de recidiva após cirurgia ou sintomas mistos, ele ajuda a identificar a causa da falha terapêutica e a guiar a conduta mais adequada, seja ela clínica ou cirúrgica.
A fisioterapia do assoalho pélvico fortalece a musculatura perineal, auxiliando no controle da IUE. As drogas antimuscarínicas agem relaxando o músculo detrusor da bexiga, reduzindo a hiperatividade detrusora e, consequentemente, os sintomas de urgência miccional e noctúria, que são componentes da IUU.
A distopia de parede vaginal anterior estágio 1 (cistocele leve) pode contribuir para os sintomas de incontinência. A conduta inicial para este estágio geralmente envolve fisioterapia do assoalho pélvico e mudanças no estilo de vida. A correção cirúrgica é considerada para estágios mais avançados ou se os sintomas forem refratários ao tratamento conservador.
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