SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Você é médico residente na estratégia de saúde da família. A enfermeira da equipe o procura para discutir o caso da senhora Rosa, idosa de 82 anos, com diabetes, obesidade e osteoartrite avançada em joelhos. Explica que os filhos solicitam prescrição para iniciar uso de fraldas, devido a piora recente de incontinência urinária, com dificuldade para caminhar sozinha até o banheiro. Ao revisar o prontuário, você percebe que não foram estabelecidas investigações ou tratamentos prévios. Diante do exposto, você considera que:
Incontinência urinária em idosa: Sempre investigar causas transitórias (ITU, delirium, diabetes descompensado, fecaloma) antes de medidas paliativas.
Antes de iniciar o uso de fraldas geriátricas em uma idosa com incontinência urinária de início recente, é crucial investigar causas transitórias e reversíveis, como infecção do trato urinário (ITU), delirium, descompensação de diabetes ou presença de fecaloma, que podem ser tratadas e resolver ou melhorar significativamente o quadro.
A incontinência urinária (IU) é uma condição comum e muitas vezes subdiagnosticada em idosos, com grande impacto na qualidade de vida, autonomia e risco de institucionalização. É crucial que, diante de um quadro de IU em um paciente idoso, especialmente de início recente ou piora, o médico residente realize uma investigação completa antes de considerar medidas paliativas como o uso de fraldas. A avaliação deve focar primeiramente nas causas transitórias e reversíveis da IU, que são frequentemente encontradas na população geriátrica. O mnemônico 'DIAPPERS' (Delirium, Infecção, Atrofia uretral/vaginal, Psicológico, Farmacológico, Excesso de diurese, Restrição de mobilidade, Stool impaction/fecaloma) é útil para lembrar essas causas. Infecções do trato urinário (ITU), estados confusionais agudos (delirium), descompensação de diabetes mellitus e presença de fecaloma são exemplos clássicos de condições que podem ser tratadas, levando à resolução ou melhora significativa da incontinência. Portanto, antes de introduzir fraldas, que podem estigmatizar e reduzir a independência do idoso, é imperativo realizar uma anamnese detalhada, exame físico e exames complementares direcionados (como urinálise, urocultura, glicemia, avaliação cognitiva e toque retal) para identificar e tratar essas causas reversíveis. O estudo urodinâmico, embora útil em alguns casos, não é a primeira etapa na avaliação de uma incontinência de início recente em idosos com comorbidades.
As causas transitórias incluem infecção do trato urinário (ITU), delirium, uso de certos medicamentos, descompensação de doenças crônicas como diabetes, mobilidade reduzida e impactação fecal (fecaloma), que podem ser lembradas pelo mnemônico DIAPPERS.
A investigação permite identificar e tratar condições reversíveis, o que pode resolver a incontinência ou melhorar significativamente o quadro, preservando a dignidade, a autonomia e a independência do idoso, evitando a medicalização desnecessária.
Exames iniciais incluem urinálise e urocultura para descartar ITU, glicemia para avaliar diabetes, e avaliação clínica para delirium e fecaloma, além de uma revisão detalhada da lista de medicamentos em uso pelo paciente.
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