Incontinência Urinária Recidivada: Diagnóstico e Tratamento

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 53 anos procura o Serviço de Ginecologia do Hospital Getúlio Vargas com relato de perda de urina aos pequenos e mínimos esforços (como sorrir, escovar os dentes e mudar de decúbito) há 05 anos. Informa ter tido 04 gestações, com 02 partos vaginais e 02 partos cesáreos. Refere antecedente de cirurgia anti-incontinência urinária há 07 anos (não sabe o nome da cirurgia), com melhora da perda de urina durante 02 anos e piora progressiva após. O exame físico demonstrou perda de urina sincrônica ao esforço e prolapso genital, com os seguintes achados (de acordo com a classificação da Sociedade Internacional de Continência– POP/Q): Legenda: HG: hiato genital; CP: corpo perineal; CVT: comprimento vaginal total; Aa: ponto A da parede anterior; Ba: ponto B da parede anterior; C: ponto C; Ap: ponto A da parede posterior; Bp: ponto B da parede posterior; D: ponto D; Marque a alternativa CORRETA sobre o achado esperado no estudo urodinâmico (EUD), além do tratamento mais adequado para a incontinência urinária e prolapso genital dessa paciente.

Alternativas

  1. A) A pressão de perda esperada seria <60cmH2O e o melhor tratamento seria fisioterapia do assoalho pélvico (eletroestimulação + exercícios perineais + uso de cones vaginais.
  2. B) A pressão de perda esperada seria >90cmH2O e o melhor tratamento seria uretropexia retropúbica (cirurgia de Burch associada com histerectomia vaginal.
  3. C) A pressão de perda esperada seria >90cnH2O e o melhor tratamento seria uretropexia retropúbica (cirurgia de Burch associada com colporrafia anterior.
  4. D) A pressão de perda esperada seria <60cmH2O e o melhor tratamento seria TVT heterólogo (fita suburetral sem tensão associado com histerectomia vaginal e colporrafia anterior.
  5. E) A pressão de perda esperada seria <60cmH2O e o melhor tratamento seria TVT heterólogo (fita suburetral sem tensão associado com fisioterapia do assoalho pélvico adjuvante (após a cirurgia.

Pérola Clínica

Incontinência urinária de esforço recidivada + prolapso genital → PPA <60cmH2O + TVT heterólogo + correção do prolapso.

Resumo-Chave

Pacientes com incontinência urinária de esforço (IUE) recidivada e prolapso genital frequentemente apresentam deficiência esfincteriana intrínseca (PPA <60cmH2O), necessitando de cirurgia com fita suburetral (TVT) e correção do prolapso (histerectomia vaginal e colporrafia anterior). A história de cirurgia prévia e piora progressiva reforça a complexidade do caso.

Contexto Educacional

A incontinência urinária de esforço (IUE) recidivada, especialmente quando associada a prolapso de órgãos pélvicos (POP), representa um desafio clínico significativo. A IUE é definida pela perda involuntária de urina durante esforços físicos, como tossir, espirrar ou levantar pesos. A recidiva após uma cirurgia prévia sugere uma etiologia mais complexa, frequentemente envolvendo deficiência esfincteriana intrínseca, que é a incapacidade do esfíncter uretral de manter a oclusão adequada. O diagnóstico preciso é fundamental e geralmente envolve um estudo urodinâmico (EUD). Este exame avalia a função da bexiga e da uretra, medindo parâmetros como a pressão de perda abdominal (PPA). Uma PPA inferior a 60 cmH2O é um forte indicativo de deficiência esfincteriana intrínseca. A avaliação do prolapso é realizada pela classificação POP/Q, que descreve a extensão e o tipo do prolapso, guiando a abordagem cirúrgica. O tratamento para IUE recidivada com deficiência esfincteriana intrínseca e prolapso genital é predominantemente cirúrgico. A colocação de uma fita suburetral (como o TVT heterólogo) é a técnica de escolha para a incontinência, enquanto o prolapso é corrigido com procedimentos como histerectomia vaginal e colporrafia anterior. A combinação dessas abordagens visa restaurar a anatomia pélvica e a função urinária, melhorando a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados esperados no estudo urodinâmico para incontinência urinária de esforço recidivada?

Em casos de incontinência urinária de esforço recidivada, especialmente com deficiência esfincteriana intrínseca, o estudo urodinâmico tipicamente revela uma Pressão de Perda Abdominal (PPA) inferior a 60 cmH2O.

Qual o tratamento mais adequado para incontinência urinária de esforço recidivada associada a prolapso genital?

O tratamento mais adequado geralmente envolve uma abordagem cirúrgica combinada, como a colocação de uma fita suburetral (TVT heterólogo) para a incontinência e a correção do prolapso genital através de histerectomia vaginal e colporrafia anterior.

Por que a fisioterapia do assoalho pélvico pode não ser suficiente para incontinência urinária recidivada?

A fisioterapia é uma opção de primeira linha para incontinência urinária de esforço primária. No entanto, em casos recidivados, especialmente com deficiência esfincteriana intrínseca ou prolapso significativo, a eficácia da fisioterapia isolada é limitada, sendo a intervenção cirúrgica frequentemente necessária.

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