UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 50a, G2P1C1A0, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de perda de urina aos esforços, sem urgência miccional. Refere uso de estradiol (creme vaginal) duas vezes por semana. Antecedentes: diabetes tipo 2, controlado com dieta e metformina. Exame ginecológico: hipotrofia vulvar, ausência de lesões genitais e manobra de Valsalva negativa. A CONDUTA INICIAL É:
IUE com Valsalva negativa e hipotrofia vulvar → iniciar fisioterapia pélvica e otimizar estrogênio tópico.
Em uma mulher de 50 anos com incontinência urinária de esforço (IUE), hipotrofia vulvar e manobra de Valsalva negativa, a conduta inicial deve focar em medidas conservadoras. O uso de estradiol creme vaginal já está em andamento, mas a fisioterapia pélvica é a primeira linha de tratamento para fortalecer o assoalho pélvico e melhorar o suporte uretral.
A incontinência urinária de esforço (IUE) é a perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal, como tossir, espirrar, rir ou levantar pesos. É uma condição comum, especialmente em mulheres na pós-menopausa, afetando significativamente a qualidade de vida. A etiologia é multifatorial, envolvendo fraqueza dos músculos do assoalho pélvico e/ou deficiência esfincteriana intrínseca da uretra. A hipotrofia vulvar, presente na paciente, sugere atrofia urogenital, que pode agravar a IUE. O diagnóstico da IUE é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. A manobra de Valsalva é um teste importante: se positiva (perda de urina com o esforço), confirma a IUE. No caso da paciente, a manobra negativa pode indicar uma IUE mais leve ou uma deficiência esfincteriana intrínseca que não se manifesta claramente sob essa condição. A avaliação deve incluir a exclusão de outras causas de incontinência, como a de urgência ou mista. A conduta inicial para IUE é conservadora. A fisioterapia pélvica, com exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico (exercícios de Kegel), é a primeira linha de tratamento e deve ser sempre considerada. O uso de estradiol creme vaginal, já em uso pela paciente, é benéfico para tratar a atrofia urogenital e melhorar a função do trato urinário inferior. A otimização da terapia hormonal tópica e a adesão à fisioterapia são cruciais antes de considerar opções mais invasivas, como a cirurgia.
A manobra de Valsalva é utilizada para provocar a perda urinária e avaliar o tipo de incontinência. Se a perda ocorre com a manobra, sugere incontinência de esforço. Se negativa, como no caso, pode indicar um componente de deficiência esfincteriana intrínseca ou uma IUE mais leve que não se manifesta sob essa pressão controlada.
A fisioterapia pélvica, com exercícios de Kegel e biofeedback, fortalece os músculos do assoalho pélvico, que são cruciais para o suporte da uretra e da bexiga. É uma abordagem não invasiva, de baixo risco e comprovadamente eficaz para a maioria dos casos de IUE leve a moderada.
O estradiol creme vaginal trata a atrofia urogenital, comum na pós-menopausa, que pode contribuir para a incontinência. Ele melhora a vascularização, elasticidade e espessura da mucosa vaginal e uretral, restaurando a função e o suporte tecidual.
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