UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025
Mulher de 55 anos procura o serviço de ginecologia com relato de perda de urina aos esforços há 5 anos, com piora no último ano. Informa ter tido 04 gestações, com 04 partos vaginais (01 com uso de fórceps). O exame físico demonstrou perda de urina sincrônica ao esforço e prolapso genital, com os seguintes achados (de acordo com a classificação da Sociedade Internacional de Continência – POP/Q): Legenda: HG: hiato genital; CP: corpo perineal; CVT: comprimento vaginal total; Aa: ponto A da parede anterior; Ba: ponto B da parede anterior; C: ponto C; Ap: ponto A da parede posterior; Bp: ponto B da parede posterior; D: ponto D. Após exame físico, o médico solicitou estudo urodinâmico, que demonstrou pressão de perda de 102 cmH2O e detrusor estável durante a cistometria. Marque a alternativa CORRETA sobre o tratamento da incontinência urinária e do prolapso genital dessa paciente.
IUE com hipermobilidade uretral + POP avançado → Sling suburetral (TVT) para a IUE + correção cirúrgica do prolapso (histerectomia vaginal e colporrafias).
O tratamento da Incontinência Urinária de Esforço (IUE) associada a um Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) avançado é tipicamente cirúrgico e combinado. O sling (TVT) corrige a incontinência por reforçar o suporte suburetral, enquanto a histerectomia vaginal com colporrafias anterior e posterior corrige os defeitos anatômicos do prolapso.
A Incontinência Urinária de Esforço (IUE) e o Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) são disfunções comuns do assoalho pélvico, frequentemente coexistentes, que afetam significativamente a qualidade de vida das mulheres. A IUE é a perda involuntária de urina durante manobras que aumentam a pressão intra-abdominal, como tossir ou espirrar. O POP é a herniação de órgãos pélvicos (bexiga, útero, reto) através da vagina. Fatores de risco incluem multiparidade, parto vaginal, obesidade e envelhecimento. A avaliação inicial envolve uma anamnese detalhada e um exame físico completo, incluindo a classificação POP-Q para estadiar o prolapso. O estudo urodinâmico é uma ferramenta complementar importante para avaliar a função do trato urinário inferior, confirmar o tipo de incontinência e medir a pressão de perda ao esforço (PPE), que ajuda a diferenciar entre hipermobilidade uretral e deficiência esfincteriana intrínseca. O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do estágio do prolapso. Para casos leves, a fisioterapia do assoalho pélvico é a primeira linha. No entanto, para pacientes com POP avançado e IUE sintomática, a abordagem cirúrgica combinada é frequentemente a melhor opção. O procedimento padrão-ouro para a IUE por hipermobilidade é o sling suburetral (TVT ou TOT). A correção do prolapso geralmente envolve a histerectomia vaginal (se houver prolapso uterino) e as colporrafias anterior e posterior para corrigir a cistocele e a retocele, restaurando a anatomia pélvica.
A classificação POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é um sistema padronizado e objetivo para descrever e estadiar o prolapso genital. Ele mede a posição de seis pontos na vagina (Aa, Ba, C, D, Ap, Bp) em relação ao hímen, além do hiato genital e corpo perineal, permitindo uma avaliação precisa dos compartimentos anterior, apical e posterior.
O Sling (TVT/TOT) é um procedimento minimamente invasivo que posiciona uma fita de polipropileno sob a uretra média para dar suporte, sendo o padrão-ouro atual para IUE por hipermobilidade. A cirurgia de Burch (uretropexia retropúbica) é uma técnica mais antiga e invasiva que fixa a fáscia parauretral ao ligamento de Cooper por via abdominal.
Uma pressão de perda ao esforço (PPE) acima de 90 cmH2O, como 102 cmH2O, é característica de Incontinência Urinária de Esforço por hipermobilidade do colo vesical e da uretra. Isso indica que o mecanismo de fechamento esfincteriano está íntegro, mas o suporte anatômico é deficiente, sendo o sling uma excelente opção terapêutica.
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