UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Mulher de 60 anos procura o Serviço de Ginecologia com relato de perda de urina aos grandes esforços há 3 anos. Informa ter tido 6 gestações, com 5 partos vaginais e 1 cesárea. O exame físico demonstrou perda de urina sincrônica ao esforço e prolapso genital, com os seguintes achados (de acordo com a classificação da Sociedade Internacional de Continência – POP/Q): Legenda: HG: hiato genital; CP: corpo perineal; CVT: comprimento vaginal total; Aa: ponto A da parede anterior; Ba: ponto B da parede anterior; C: ponto C; Ap: ponto A da parede posterior; Bp: ponto B da parede posterior; D: ponto D. Após exame físico, o médico solicitou estudo urodinâmico que demonstrou pressão de perda com 200ml de 133cmH2O e detrusor estável durante a cistometria. Marque a alternativa CORRETA sobre o tratamento da incontinência urinária e do prolapso genital dessa paciente.
IUE + Prolapso = TVT para incontinência + colporrafias para prolapsos de parede vaginal.
A incontinência urinária de esforço (IUE) e o prolapso genital frequentemente coexistem e podem ser abordados cirurgicamente de forma combinada. O TVT é o padrão ouro para IUE, enquanto as colporrafias corrigem prolapsos de parede vaginal (cistocele e retocele).
A incontinência urinária de esforço (IUE) e o prolapso de órgãos pélvicos são condições comuns que afetam significativamente a qualidade de vida das mulheres, especialmente multíparas e pós-menopáusicas. A etiologia é multifatorial, envolvendo danos ao assoalho pélvico durante o parto, deficiência de estrogênio e fatores genéticos. A avaliação completa inclui história clínica, exame físico (com classificação POP/Q para prolapso) e, frequentemente, estudo urodinâmico. O tratamento da IUE varia desde medidas conservadoras (fisioterapia do assoalho pélvico) até cirúrgicas. O TVT (Tension-free Vaginal Tape) é a técnica cirúrgica mais utilizada e eficaz para IUE, envolvendo a colocação de uma fita suburetral para dar suporte à uretra. Para o prolapso genital, as opções cirúrgicas dependem do compartimento afetado e da gravidade. A colporrafia anterior corrige a cistocele, e a colporrafia posterior corrige a retocele, reforçando as paredes vaginais. Em pacientes que apresentam ambas as condições, a abordagem combinada é frequentemente a mais indicada para otimizar os resultados e evitar cirurgias futuras. A escolha da técnica deve ser individualizada, considerando a extensão do prolapso, o tipo de incontinência e as comorbidades da paciente. A fisioterapia do assoalho pélvico pode ser adjuvante, mas não substitui a cirurgia em casos de prolapso significativo ou IUE moderada a grave.
O estudo urodinâmico é fundamental para diferenciar os tipos de incontinência (esforço, urgência, mista), avaliar a função do detrusor, a capacidade vesical e a pressão de perda. Ele auxilia na escolha da melhor abordagem terapêutica, especialmente antes de cirurgias.
O TVT (Tension-free Vaginal Tape) é considerado o padrão ouro para o tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço, especialmente em casos de hipermobilidade uretral ou deficiência esfincteriana intrínseca. É uma cirurgia minimamente invasiva com altas taxas de sucesso.
A colporrafia anterior é indicada para correção de cistocele (prolapso da parede vaginal anterior), enquanto a colporrafia posterior é para retocele (prolapso da parede vaginal posterior). Ambas visam restaurar a anatomia e função do assoalho pélvico, aliviando sintomas como sensação de peso e disfunção evacuatória.
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