UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Mulher, 32 anos de idade, IG I Parto vaginal há 4 meses, refere incontinência urinária de esforço durante a gestação, com piora no puerpério. Refere perda ao tossir, espirrar e carregar o bebê no colo. Qual é a conduta mais adequada?
IUE pós-parto → Fisioterapia do assoalho pélvico é a conduta inicial.
Em mulheres jovens, especialmente no puerpério, com incontinência urinária de esforço, a fisioterapia do assoalho pélvico é a primeira linha de tratamento. Procedimentos cirúrgicos são reservados para casos refratários ou mais graves.
A incontinência urinária de esforço (IUE) é uma condição comum que afeta muitas mulheres, especialmente após a gestação e o parto vaginal. Caracteriza-se pela perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal, como tossir, espirrar ou levantar pesos. No puerpério, a IUE pode ser exacerbada devido ao trauma do parto, alterações hormonais e o estiramento dos músculos do assoalho pélvico. É crucial reconhecer a prevalência e o impacto dessa condição na qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia da IUE envolve a falha dos mecanismos de suporte e fechamento uretral. Durante a gestação e o parto, os músculos, ligamentos e fáscias do assoalho pélvico podem ser danificados ou enfraquecidos, comprometendo a capacidade de conter a urina sob esforço. O diagnóstico é clínico, baseado na história da paciente, e pode ser complementado por exames como o teste do cotonete ou estudo urodinâmico em casos selecionados. A suspeita deve surgir em qualquer mulher que relate perda urinária associada a esforços. A conduta inicial mais adequada para a IUE no puerpério é o tratamento conservador, com destaque para a fisioterapia do assoalho pélvico. Esta terapia visa fortalecer os músculos perineais, melhorar a coordenação e a resistência, e educar a paciente sobre hábitos miccionais saudáveis. A cirurgia, como o sling retropúbico, é uma opção eficaz, mas geralmente reservada para casos refratários ao tratamento conservador ou quando há prolapso de órgãos pélvicos associado. A injeção periuretral é menos comum e tem taxas de sucesso variáveis.
Os principais fatores incluem parto vaginal, multiparidade, obesidade, idade avançada e histórico familiar de incontinência. A gestação em si já é um fator de risco devido às alterações hormonais e mecânicas.
A cirurgia é geralmente indicada após a falha do tratamento conservador, como a fisioterapia do assoalho pélvico, e quando a incontinência impacta significativamente a qualidade de vida da paciente.
A fisioterapia fortalece a musculatura do assoalho pélvico, melhora o suporte uretral e a coordenação muscular, reduzindo a perda urinária e melhorando a qualidade de vida sem os riscos de um procedimento invasivo.
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