HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020
Paciente de 62 anos comparece à consulta com ginecologista com relato de incontinência urinária. Informa que perde quantidade pequena de urina e sempre “fica com a calcinha molhada”. Relata que os sintomas prejudicam sua qualidade de vida, pois está sempre incomodada com o forte odor. Ao exame físico não são observadas distopias evidentes, mas a paciente apresenta perda discreta de urina quando é solicitada a realizar manobras de aumento de pressão abdominal. Sobre o caso descrito, é INCORRETO afirmar que:
Incontinência urinária de esforço (IUE) → anticolinérgicos CONTRAINDICADOS, pois pioram esvaziamento vesical.
A paciente apresenta sintomas clássicos de incontinência urinária de esforço (IUE), caracterizada pela perda de urina aos esforços e ausência de distopias. Drogas anticolinérgicas são indicadas para incontinência de urgência (bexiga hiperativa), não para IUE, e podem inclusive piorar o quadro ao causar retenção urinária ou boca seca.
A incontinência urinária (IU) é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas, principalmente mulheres, e tem um impacto significativo na qualidade de vida. A incontinência urinária de esforço (IUE), como a descrita no caso, é a perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal. Sua prevalência aumenta com a idade, paridade e obesidade. O diagnóstico diferencial com outros tipos de IU, como a de urgência ou mista, é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia da IUE está frequentemente associada ao enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico e/ou à deficiência do esfíncter uretral. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, incluindo a manobra de Valsalva ou tosse para demonstrar a perda. Exames complementares como urina tipo I e urocultura são essenciais para excluir infecção do trato urinário, que pode agravar os sintomas ou ser a causa subjacente. O tratamento da IUE geralmente começa com abordagens conservadoras, como a fisioterapia do assoalho pélvico, que visa fortalecer a musculatura pélvica. Em casos refratários ou mais graves, opções cirúrgicas como o sling uretral podem ser consideradas. É importante ressaltar que drogas anticolinérgicas, que atuam relaxando o detrusor, são a base do tratamento para a incontinência de urgência (bexiga hiperativa) e não são indicadas para a IUE, podendo inclusive piorar os sintomas ao dificultar o esvaziamento vesical.
Na avaliação inicial da incontinência urinária, é fundamental solicitar exames de urina e urocultura para afastar infecção do trato urinário, que pode mimetizar ou agravar os sintomas. Um diário miccional também é útil para caracterizar o padrão da perda.
A fisioterapia do assoalho pélvico fortalece os músculos que suportam a uretra e a bexiga, melhorando o controle da continência. É uma abordagem conservadora e eficaz como primeira linha de tratamento para a incontinência urinária de esforço, especialmente em casos leves a moderados.
As drogas anticolinérgicas são indicadas para o tratamento da incontinência urinária de urgência, ou bexiga hiperativa, onde há contrações involuntárias do músculo detrusor. Elas atuam relaxando a bexiga e reduzindo a frequência e a urgência miccional, mas são contraindicadas na incontinência de esforço.
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