Incontinência Urinária de Esforço: Diagnóstico da Lesão Esfincteriana

Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2015

Enunciado

Mulher de 68 anos de idade, G8P8A0 - (partos normais), com menopausa há 15 anos, refere perda urinária aos esforços há 6 anos, com piora progressiva e saída de grande quantidade de urina quando sorri, levanta peso ou anda rápido. Solicitado exame urodinâmico que evidenciou: urofluxometria com volume de 320 ml, fluxo médio de 15 ml/s, ausência de resíduo pós-miccional e cistometria com PPE (Pressão de Perda aos Esforços) de 55 cmH₂O durante a manobra de Valsalva, sem contrações involuntárias do detrusor. O diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Incontinência urinária de esforço por lesão esfincteriana.
  2. B) Incontinência urinária associada à cistite intersticial. 
  3. C) Incontinência urinária por hiperatividade do músculo do detrusor.
  4. D) Incontinência urinária de esforço por hipermobilidade vesical. 

Pérola Clínica

IUE + PPE < 60 cmH2O + grande perda urinária = Deficiência Esfincteriana Intrínseca (lesão esfincteriana).

Resumo-Chave

A incontinência urinária de esforço com perda de grande volume e Pressão de Perda aos Esforços (PPE) abaixo de 60 cmH2O é altamente sugestiva de deficiência esfincteriana intrínseca (DII) ou lesão esfincteriana. A multiparidade e a menopausa são fatores de risco importantes para o enfraquecimento do assoalho pélvico e do esfíncter uretral.

Contexto Educacional

A incontinência urinária de esforço (IUE) por lesão esfincteriana, também conhecida como deficiência esfincteriana intrínseca (DII), é uma forma grave de perda urinária que ocorre quando o esfíncter uretral é intrinsecamente fraco e incapaz de manter a continência. É mais comum em mulheres multíparas e pós-menopáusicas, devido ao trauma do parto e à atrofia tecidual por deficiência estrogênica. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história de perda urinária de grande volume aos mínimos esforços e é confirmado pela urodinâmica. A Pressão de Perda aos Esforços (PPE) é o parâmetro mais indicativo: valores abaixo de 60 cmH2O são considerados diagnósticos de DII. A ausência de contrações involuntárias do detrusor na cistometria diferencia a IUE de outras formas de incontinência. O tratamento da IUE por lesão esfincteriana é predominantemente cirúrgico, uma vez que o tratamento conservador (fisioterapia) pode ter taxas de sucesso mais baixas. As cirurgias de sling suburetral são as mais comuns, visando dar suporte e compressão à uretra. Em casos mais complexos, outras técnicas como injeção de agentes de volume ou implante de esfíncter artificial podem ser consideradas.

Perguntas Frequentes

Como a multiparidade e a menopausa contribuem para a incontinência urinária de esforço?

A multiparidade pode causar trauma direto aos músculos e nervos do assoalho pélvico e do esfíncter uretral durante o parto. A menopausa leva à deficiência estrogênica, que enfraquece os tecidos de suporte da uretra e da bexiga, exacerbando a perda urinária.

Qual a diferença entre IUE por hipermobilidade e por deficiência esfincteriana intrínseca (DII)?

A IUE por hipermobilidade ocorre quando a uretra e o colo vesical se movem excessivamente durante o esforço, impedindo o fechamento adequado. A DII, por outro lado, é caracterizada por um esfíncter uretral intrinsecamente fraco, incapaz de manter a continência, mesmo com pouca mobilidade. A PPE baixa é um marcador de DII.

Quais são as opções de tratamento para IUE com lesão esfincteriana?

Para IUE com lesão esfincteriana (DII), o tratamento conservador pode ser menos eficaz. As opções cirúrgicas incluem slings suburetrais (como o sling de faixa média) ou, em casos selecionados, injeção de agentes de volume ou esfíncter artificial, visando restaurar a resistência uretral.

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