Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2020
Durante estudo urodinâmico em mulher de 60 anos de idade, o médico observa aumento da pressão vesical que atinge 45cmH₂O após 200ml de soro infundidos. Ao observar a linha da pressão abdominal nota-se que também atinge 45cmH2O. Há perda de líquido pela uretra. O diagnóstico urodinâmico é de?
Perda urinária com ↑ Pvesical = ↑ Pabd (Pdetrusor=0) → Incontinência Urinária de Esforço.
No estudo urodinâmico, se a perda urinária ocorre com aumento da pressão vesical (Pves) que é igual ao aumento da pressão abdominal (Pabd), significa que a pressão do detrusor (Pdet = Pves - Pabd) não aumentou. Isso caracteriza a incontinência urinária de esforço, e a perda com volumes menores e pressões elevadas sugere defeito esfincteriano intrínseco.
A incontinência urinária (IU) é uma condição comum, especialmente em mulheres idosas, que impacta significativamente a qualidade de vida. O estudo urodinâmico é uma ferramenta diagnóstica essencial para classificar o tipo de IU e guiar o tratamento. A compreensão das curvas de pressão vesical, abdominal e do detrusor é crucial para a interpretação correta. A incontinência urinária de esforço (IUE) é caracterizada pela perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal (tosse, espirro, exercício), na ausência de contração do detrusor. No estudo urodinâmico, isso se manifesta como um aumento da pressão vesical que é acompanhado por um aumento equivalente da pressão abdominal, resultando em uma pressão do detrusor (Pdet = Pves - Pabd) que permanece zero ou negativa. Dentro da IUE, o defeito esfincteriano intrínseco (DEI) ocorre quando há uma falha na capacidade de fechamento da uretra, independentemente do suporte anatômico. É sugerido por uma pressão de ponto de vazamento abdominal (ALPP) baixa (< 60 cmH2O) ou perda urinária com pequenos volumes de enchimento, como no caso descrito (200ml). O tratamento varia desde fisioterapia do assoalho pélvico até cirurgias como o sling de uretra média.
O estudo urodinâmico avalia as pressões vesical, abdominal e do detrusor durante o enchimento e esvaziamento da bexiga, permitindo identificar contrações involuntárias (bexiga hiperativa) ou falha do esfíncter (incontinência de esforço).
Um defeito esfincteriano intrínseco é sugerido por perda urinária com pequenos volumes vesicais e/ou baixas pressões de vazamento (pressão de ponto de vazamento abdominal - ALPP < 60 cmH2O), indicando uma falha na resistência uretral.
A pressão vesical (Pves) é a pressão total dentro da bexiga. A pressão abdominal (Pabd) reflete a pressão extrínseca sobre a bexiga. A pressão do detrusor (Pdet) é a pressão gerada pela própria musculatura da bexiga (Pdet = Pves - Pabd).
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