UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Mulher, 35 anos de idade, IIG II Partos normais, refere perda urinária durante atividade física, ao praticar polichinelos. Exame físico: perda urinária à manobra de tosse em posição ortostática, classificação POP-Q = IIba e ponto Ba = 0. Qual é a conduta mais adequada?
IUE em mulher jovem com prolapso leve → Fisioterapia do assoalho pélvico é a primeira linha.
A incontinência urinária de esforço (IUE) em mulheres jovens, especialmente com prolapso de órgão pélvico (POP) de grau leve (POP-Q IIba), tem como tratamento de primeira linha a fisioterapia do assoalho pélvico. Esta abordagem visa fortalecer a musculatura perineal e melhorar o suporte uretral, sendo eficaz em muitos casos antes de considerar intervenções cirúrgicas.
A incontinência urinária de esforço (IUE) é uma condição comum, especialmente em mulheres multíparas, caracterizada pela perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal. Sua prevalência aumenta com a idade, mas pode afetar mulheres jovens, como no caso apresentado, frequentemente associada a partos vaginais e fraqueza do assoalho pélvico. A correta avaliação inclui a história clínica, exame físico com manobra de Valsalva e, por vezes, exames complementares como o estudo urodinâmico. A classificação POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é uma ferramenta padronizada para descrever e quantificar o prolapso de órgãos pélvicos. No caso, POP-Q IIba com ponto Ba=0 indica um prolapso de parede vaginal anterior (cistocele) de grau II, mas com o ponto mais distal da parede anterior ainda na altura do hímen, o que é considerado um prolapso de grau leve a moderado. Para IUE e prolapsos leves, a primeira linha de tratamento é conservadora. A fisioterapia do assoalho pélvico, incluindo exercícios perineais (exercícios de Kegel), biofeedback e eletroestimulação, é altamente eficaz no fortalecimento da musculatura e na melhora do controle urinário. Esta abordagem deve ser sempre tentada antes de considerar opções cirúrgicas, que são mais invasivas e possuem riscos associados. O uso de pessários vaginais pode ser uma opção temporária ou para mulheres que não podem ou não querem cirurgia, mas não é a conduta mais adequada como tratamento de primeira linha para fortalecimento.
A IUE é caracterizada pela perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal, como tossir, espirrar, rir, levantar pesos ou praticar exercícios físicos.
A fisioterapia fortalece os músculos do assoalho pélvico, que são responsáveis pelo suporte da uretra e bexiga. Isso melhora o mecanismo de fechamento uretral e a capacidade de conter a urina durante o esforço.
A cirurgia, como a colocação de sling, é geralmente indicada para casos de IUE moderada a grave que não respondem ao tratamento conservador com fisioterapia, ou em situações de prolapso mais avançado.
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