Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2021
Paciente de 40 anos, G2 P2C, com queixa de perda urinária ao tossir ou espirrar de início há 3 semanas. No exame físico, ausência de prolapso e teste de esforço negativo. O próximo passo é:
Incontinência urinária de início recente, mesmo com teste de esforço negativo → sempre afastar ITU com Urina I e urocultura antes de investigação complexa.
Em pacientes com queixa de incontinência urinária de início recente, mesmo que os sintomas sugiram incontinência de esforço e o teste de esforço seja negativo, a primeira etapa diagnóstica e mais importante é descartar uma infecção do trato urinário (ITU). A ITU pode causar ou exacerbar sintomas de incontinência e é uma causa reversível que deve ser investigada com Urina I e urocultura antes de qualquer outra investigação mais complexa.
A incontinência urinária (IU) é uma condição comum que afeta milhões de mulheres, impactando significativamente sua qualidade de vida. Embora mais prevalente em multíparas e com o avanço da idade, pode ocorrer em mulheres mais jovens, como no caso apresentado. A IU de esforço, caracterizada pela perda involuntária de urina durante atividades que aumentam a pressão intra-abdominal (tossir, espirrar, rir), é um dos tipos mais frequentes. A avaliação inicial da IU é crucial para um manejo eficaz e deve seguir uma abordagem sistemática para identificar a causa e o tipo de incontinência. A fisiopatologia da IU de esforço geralmente envolve a hipermobilidade uretral ou a deficiência intrínseca do esfíncter uretral, muitas vezes relacionadas a danos nos músculos do assoalho pélvico e nos ligamentos de suporte após o parto. No entanto, sintomas de incontinência podem ser mimetizados ou exacerbados por outras condições. A infecção do trato urinário (ITU) é uma causa comum de sintomas urinários irritativos, incluindo urgência, frequência e, por vezes, incontinência de início recente. Portanto, mesmo em um quadro sugestivo de IU de esforço, a exclusão de ITU com Urina I e urocultura é um passo diagnóstico fundamental e prioritário. Um teste de esforço negativo, como no caso, pode levantar a suspeita de outras causas ou a necessidade de uma avaliação mais aprofundada, mas a ITU ainda deve ser descartada primeiro. Após descartar a ITU, a conduta pode incluir medidas comportamentais, exercícios para o assoalho pélvico (fisioterapia), e, se necessário, avaliação urodinâmica para confirmar o diagnóstico e planejar tratamentos mais específicos, como farmacoterapia ou cirurgia. O prognóstico da IU é geralmente bom com o tratamento adequado, que pode variar desde intervenções conservadoras até procedimentos cirúrgicos. A abordagem inicial deve ser menos invasiva e focada em causas reversíveis, garantindo que o paciente receba o tratamento mais apropriado e eficaz.
Os principais tipos são incontinência de esforço (perda ao tossir, espirrar, rir), incontinência de urgência (perda associada a uma forte e súbita necessidade de urinar) e incontinência mista (combinação das duas). A diferenciação inicial é feita pela história clínica e exame físico, incluindo o teste de esforço.
A ITU pode causar ou agravar sintomas de incontinência, especialmente a de urgência, devido à irritação da bexiga. É uma causa reversível e tratável, e sua exclusão é fundamental antes de considerar outras causas mais complexas ou tratamentos invasivos para a incontinência.
O estudo urodinâmico é indicado quando o diagnóstico é incerto após a avaliação inicial, quando há falha no tratamento conservador, antes de cirurgias para incontinência, em casos de prolapso de órgão pélvico significativo, ou em pacientes com suspeita de disfunção neurológica da bexiga. Não é o primeiro passo na maioria dos casos.
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