Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Define-se incontinência urinária como perda involuntária de qualquer volume de urina. Além da uretra, é possível haver extravasamento de urina de fontes extrauretrais, como fístulas ou malformações congênitas do trato urinário inferior. Sobre o assunto, analise as proposições abaixo.I. Idade, obesidade, multiparidade e histerectomia prévia são fatores de risco.II. O esfincter urogenital recebe inervação motora somática por meio dos nervos pudendo e pélvico.III. Quando o momento para o esvaziamento vesical se aproxima, reduz-se a estimulação simpática e desencadeia-se a estimulação parassimpática. Impulsos neurais transmitidos pelos nervos pélvicos estimulam a liberação da acetilcolina, levando à contração do músculo detrussor. Junto com a estimulação do detrussor, a acetilcolina também estimula receptores na uretra, levando ao relaxamento do trato de saída para permitir a micção.IV. Estudo urodinâmico, resíduo pós-miccional, cistometria multicanal são métodos diagnósticos, além da clínica do paciente. É correto o que se afirma em
Incontinência urinária: multifatorial (idade, obesidade, multiparidade, histerectomia) e complexa fisiologia neural da micção.
A incontinência urinária é uma condição multifatorial, com fatores de risco bem estabelecidos. A fisiologia da micção envolve um controle neural complexo, com inervação somática do esfíncter e parassimpática do detrusor, e seu diagnóstico se baseia na clínica e em exames como o estudo urodinâmico.
A incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina, representando um problema de saúde significativo que afeta milhões de pessoas globalmente, com grande impacto na qualidade de vida. Sua prevalência aumenta com a idade e é mais comum em mulheres. Além das perdas uretrais, é crucial considerar causas extrauretrais, como fístulas ou malformações congênitas. A compreensão dos fatores de risco é essencial para a prevenção e o manejo; entre eles, destacam-se idade avançada, obesidade, multiparidade, histerectomia prévia, tabagismo e doenças neurológicas. A fisiologia da micção é um processo neurofisiológico complexo que envolve a coordenação entre o sistema nervoso central e periférico, a bexiga (músculo detrusor) e os esfíncteres uretral interno e externo. Durante o enchimento vesical, há predomínio da inervação simpática, que relaxa o detrusor e contrai o esfíncter interno. Quando a bexiga atinge um volume crítico, ocorre a inibição simpática e a ativação parassimpática (via nervos pélvicos, liberando acetilcolina), que contrai o detrusor. Simultaneamente, o esfíncter urogenital externo, inervado somaticamente pelos nervos pudendo e pélvico, relaxa para permitir o fluxo urinário. O diagnóstico da incontinência urinária baseia-se na história clínica detalhada, exame físico e, frequentemente, em exames complementares. O estudo urodinâmico, que inclui a cistometria multicanal, é uma ferramenta diagnóstica valiosa que avalia a função da bexiga e da uretra durante o enchimento e o esvaziamento, auxiliando na classificação do tipo de IU (esforço, urgência, mista). A medição do resíduo pós-miccional também é importante para avaliar a eficácia do esvaziamento vesical. Para residentes, o domínio desses conceitos é fundamental para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento eficaz.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, multiparidade (especialmente partos vaginais), histerectomia prévia, tabagismo, doenças neurológicas e algumas medicações.
A fase de enchimento é predominantemente simpática (relaxa detrusor, contrai esfíncter interno). A fase de esvaziamento é parassimpática (contrai detrusor via acetilcolina) e somática (relaxa esfíncter externo via nervo pudendo).
Além da avaliação clínica, exames como o estudo urodinâmico (incluindo cistometria multicanal), medida do resíduo pós-miccional e diário miccional são fundamentais para classificar o tipo e a gravidade da incontinência.
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