Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022
Gestante com 23 semanas, sem queixa, apresentando herniação de saco gestacional observado ao exame especular durante coleta de exame de papanicolaou. O diagnóstico mais provável é:
Herniação de saco gestacional ao exame especular em 2º trimestre → diagnóstico de incontinência cervical.
A herniação do saco gestacional através do orifício cervical externo, visível ao exame especular no segundo trimestre, é um sinal patognomônico de incontinência cervical (ou insuficiência istmocervical), uma condição que leva à dilatação indolor do colo e ao parto prematuro.
A incontinência cervical, também conhecida como insuficiência istmocervical, é uma condição caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo devido a uma fraqueza estrutural. Ela é uma causa importante de abortos tardios e partos prematuros no segundo trimestre, geralmente de forma indolor. O diagnóstico é frequentemente feito pela história clínica de perdas gestacionais anteriores no segundo trimestre sem contrações ou por achados ao exame físico, como a dilatação cervical e a herniação das membranas amnióticas através do orifício cervical externo, como descrito na questão. A ultrassonografia transvaginal para medir o comprimento cervical também é uma ferramenta diagnóstica importante. O manejo da incontinência cervical pode incluir a cerclagem cervical, um procedimento cirúrgico para reforçar o colo uterino, geralmente realizado profilaticamente entre 12 e 14 semanas de gestação em pacientes de alto risco. Em casos de diagnóstico tardio com herniação do saco gestacional, uma cerclagem de urgência pode ser considerada, se as condições clínicas permitirem, para prolongar a gestação e melhorar o prognóstico neonatal.
Fatores de risco incluem história de abortos tardios ou partos prematuros espontâneos, procedimentos cervicais prévios (conização, dilatação e curetagem), trauma cervical e anomalias congênitas do colo uterino.
A conduta inicial é a cerclagem de urgência (se não houver infecção ou rotura de membranas) para tentar manter a gestação, além de repouso e, em alguns casos, progesterona vaginal.
A incontinência cervical é tipicamente indolor, com dilatação cervical progressiva e herniação das membranas, enquanto o trabalho de parto prematuro é caracterizado por contrações uterinas dolorosas e regulares que levam à dilatação e apagamento do colo.
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