Incompetência Istmocervical: Diagnóstico e Conduta na Gestação

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 25a, G2P1A0, Idade Gestacional= 22 semanas, com parto espontâneo às 28 semanas em gestação anterior, deu entrada na maternidade com queixa de dor em baixo ventre e secreção vaginal. Exame obstétrico: altura uterina 21 cm, dinâmica uterina ausente, batimentos cardíacos fetais: 140 bpm; especular: ausência de sangramento, presença de muco fisiológico em colo uterino e ausência de leucorreia; toque vaginal: colo medianizado, amolecido, 50% esvaecido, orifício externo entreaberto. Ultrassonografia: colo uterino medindo 20mm, com abertura de orifício interno e herniação de membrana amniótica pelo canal cervical, com aspecto de funil. A CONDUTA É:

Alternativas

Pérola Clínica

IIC com membranas herniadas e colo < 25mm em < 24 sem → Cerclagem de urgência (se viável) ou manejo conservador.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de incompetência istmocervical (IIC) com parto prematuro prévio, colo uterino curto (20mm), esvaecimento e abertura do orifício interno com herniação de membranas ("funneling"). A conduta depende da viabilidade fetal e desejo da paciente, mas a cerclagem de urgência é uma opção se não houver sinais de infecção ou trabalho de parto ativo.

Contexto Educacional

A incompetência istmocervical (IIC) é uma condição caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação indolor e parto prematuro, geralmente no segundo trimestre. É uma causa significativa de morbimortalidade perinatal e seu diagnóstico e manejo precoces são fundamentais para melhorar os desfechos gestacionais. O diagnóstico da IIC é frequentemente baseado na história clínica de partos prematuros espontâneos anteriores, especialmente aqueles que ocorreram sem contrações ou sangramento. Durante a gestação atual, a ultrassonografia transvaginal é essencial para monitorar o comprimento cervical. Um colo uterino curto (geralmente < 25 mm) e a presença de "funneling" (abertura do orifício interno com protrusão das membranas amnióticas) são achados ultrassonográficos importantes. A conduta na IIC pode incluir a cerclagem cervical, que é um procedimento cirúrgico para reforçar o colo uterino. A cerclagem pode ser profilática (em gestantes de alto risco com história prévia), terapêutica (quando o colo já está encurtado) ou de urgência (em casos de dilatação cervical com membranas herniadas). Outras medidas incluem repouso, tocolíticos e corticosteroides para maturação pulmonar fetal, dependendo da idade gestacional e da apresentação clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para incompetência istmocervical?

Os principais fatores de risco incluem histórico de parto prematuro espontâneo no segundo trimestre, abortamentos tardios de repetição, procedimentos cervicais prévios (conização, dilatação e curetagem) e anomalias congênitas do colo uterino.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal no diagnóstico da IIC?

A ultrassonografia transvaginal é crucial para medir o comprimento do colo uterino e identificar sinais como o "funneling" (abertura do orifício interno com protrusão das membranas), que são indicativos de IIC.

Quando a cerclagem cervical de urgência é indicada na IIC?

A cerclagem cervical de urgência pode ser indicada em casos de IIC com colo uterino curto e membranas herniadas, geralmente antes de 24 semanas, na ausência de infecção, sangramento ativo ou trabalho de parto.

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