Cerclagem Uterina: Indicação e Momento Ideal

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 26 anos, referindo atraso menstrual de 2 meses, é encaminhada ao pré-natal de referência. Antecedentes Gineco-Obstétricos: terceira gestação, nenhum parto, dois abortos espontâneos (primeiro aborto com 18 semanas e segundo aborto com 16 semanas, nascidos vivos, evoluindo com óbito logo após os nascimentos) e conização a frio por NIC 3 aos 20 anos de idade. O exame físico realizado evidenciou colo uterino impérvio. O ultrassom mostrou gestação inicial de 7 semanas e comprimento do colo uterino de 29 mm. O tratamento correto a ser orientado é:

Alternativas

  1. A) Realizar cerclagem emergencial do colo uterino.
  2. B) Realizar restrição de atividade física, repouso no leito e uso de progesterona.
  3. C) Realizar cerclagem do colo uterino baseada nos antecedentes obstétricos, entre 12 e14 semanas, após a ultrassonografia revelar boa vitalidade e ausência de anomalias fetais.
  4. D) Realizar cerclagem do colo uterino baseada nos dados ultrassonográficos entre 16 e24 semanas de gravidez, após a ultrassonografia revelar boa vitalidade e ausência de anomalias fetais.

Pérola Clínica

História de abortos tardios + conização → Cerclagem profilática entre 12-14 semanas.

Resumo-Chave

A paciente apresenta história de perdas gestacionais tardias (16 e 18 semanas) e conização prévia, fatores de risco importantes para incompetência istmocervical. A cerclagem profilática, baseada nos antecedentes obstétricos, é a conduta mais adequada, realizada idealmente entre 12 e 14 semanas, após confirmação da vitalidade fetal.

Contexto Educacional

A incompetência istmocervical (IIC) é uma condição na qual o colo uterino se dilata e encurta prematuramente durante o segundo trimestre da gravidez, resultando em abortos tardios ou partos prematuros espontâneos. O diagnóstico é frequentemente baseado na história obstétrica, caracterizada por perdas gestacionais recorrentes no segundo trimestre sem contrações ou sangramento. Fatores de risco incluem procedimentos cervicais prévios, como conização, que podem comprometer a integridade estrutural do colo. No caso apresentado, a paciente possui uma história clássica de IIC, com dois abortos espontâneos tardios (16 e 18 semanas) e um antecedente de conização por NIC 3. Embora o comprimento do colo uterino de 29 mm na 7ª semana não seja um critério para cerclagem de emergência, a história obstétrica é o fator determinante para a indicação de cerclagem profilática. A ultrassonografia transvaginal seriada para monitorar o comprimento cervical é importante, mas a decisão de cerclagem profilática é primariamente clínica. O tratamento de escolha para a IIC baseada em antecedentes é a cerclagem uterina profilática. Este procedimento cirúrgico envolve a colocação de uma sutura ao redor do colo uterino para reforçá-lo e prevenir a dilatação prematura. A cerclagem profilática é realizada idealmente entre 12 e 14 semanas de gestação, após a confirmação da vitalidade fetal e a exclusão de anomalias fetais, oferecendo a melhor chance de sucesso para prolongar a gestação e melhorar o prognóstico neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para a cerclagem uterina?

As principais indicações incluem história de três ou mais perdas gestacionais tardias ou partos prematuros espontâneos (cerclagem profilática), dilatação cervical indolor no segundo trimestre (cerclagem terapêutica) e colo curto (<25mm) em ultrassom antes de 24 semanas com história de parto prematuro (cerclagem de resgate).

Qual o momento ideal para realizar a cerclagem profilática?

A cerclagem profilática é idealmente realizada entre 12 e 14 semanas de gestação, após a confirmação da vitalidade fetal e a exclusão de anomalias congênitas, para maximizar a eficácia e minimizar riscos.

Como a conização cervical afeta o risco de incompetência istmocervical?

A conização cervical, um procedimento para remover lesões pré-cancerígenas, pode reduzir o comprimento e a integridade estrutural do colo uterino, aumentando o risco de incompetência istmocervical e, consequentemente, de parto prematuro ou aborto tardio.

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