FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2015
Tercigesta, com 15 semanas de gestação, refere antecedente obstétrico de duas perdas gestacionais, sendo a primeira com 23 semanas e a segunda com 18 semanas. Relata partos rápidos, de fetos vivos e com pouca dor. O obstetra deve:
Perdas gestacionais tardias recorrentes + partos rápidos/indolores = forte suspeita de Incompetência Istmo-Cervical (IIC) → avaliação cervical clínica e ultrassonográfica.
A história de perdas gestacionais no segundo trimestre, especialmente se rápidas e indolores, é altamente sugestiva de incompetência istmo-cervical. A avaliação cervical por ultrassonografia transvaginal é crucial para medir o comprimento do colo e identificar sinais de dilatação precoce, guiando a conduta preventiva.
A Incompetência Istmo-Cervical (IIC) é uma condição na qual o colo uterino não consegue manter a gestação até o termo devido à sua incapacidade estrutural de permanecer fechado e longo. É uma causa importante de perdas gestacionais recorrentes no segundo trimestre e de partos prematuros. A prevalência é estimada em 1-2% das gestações, mas pode ser maior em populações de alto risco. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para a prevenção de desfechos gestacionais adversos. O diagnóstico da IIC é predominantemente baseado na história clínica, caracterizada por perdas gestacionais indolores e rápidas no segundo trimestre, sem contrações ou sangramento significativos. A avaliação cervical por ultrassonografia transvaginal é a ferramenta diagnóstica mais importante na gestação atual, permitindo a medição seriada do comprimento do colo uterino. Um colo uterino com comprimento inferior a 25 mm antes de 24 semanas é um forte preditor de parto prematuro e pode indicar a necessidade de intervenção. O manejo da IIC pode incluir repouso, uso de progesterona vaginal e, mais comumente, a circlagem cervical. A circlagem é um procedimento cirúrgico que envolve a colocação de uma sutura ao redor do colo uterino para reforçá-lo e mantê-lo fechado. Existem diferentes tipos de circlagem (profilática, terapêutica, de emergência), e a escolha depende da história clínica e dos achados ultrassonográficos. A identificação precoce e a intervenção apropriada são fundamentais para melhorar o prognóstico gestacional.
A IIC é suspeitada em gestantes com história de duas ou mais perdas gestacionais no segundo trimestre (entre 14 e 28 semanas), especialmente se os partos foram rápidos, indolores e sem sinais de infecção ou descolamento de placenta.
A ultrassonografia transvaginal permite medir o comprimento do colo uterino e observar sinais de encurtamento ou dilatação do orifício interno do colo. Um colo curto (geralmente < 25 mm antes de 24 semanas) é um marcador de risco para parto prematuro e pode indicar IIC.
A circlagem cervical é indicada profilaticamente em gestantes com história de IIC, geralmente entre 12 e 14 semanas de gestação. Em casos de achados ultrassonográficos de colo curto em gestantes de alto risco, pode-se indicar uma circlagem terapêutica ou de emergência.
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