Incompetência Istmo-Cervical: Manejo e Prevenção

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024

Enunciado

G.M.A., 28 anos, GII PI 1N A0, IG 16 semanas, gestação única. Vem à primeira consulta de pré-natal. Descobriu gestação tardiamente, por sangramento irregular no início da gestação. Refere prematuridade prévia, com parto vaginal com IG 30 semanas. Nega outras comorbidades. Ao exame físico, AU compatível com 16 semanas de IG, BCF 150 bpm. Especular: conteúdo vaginal fisiológico, colo sem lesões aparentes. TV bimanual: colo impérvio, amolecido e posterior. Fundo uterino um pouco abaixo da cicatriz umbilical. De acordo com o caso acima, assinale a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) Aguardar 20 semanas de idade gestacional pra medida única do colo uterino e conduta posterior.
  2. B) Progesterona via vaginal e medida seriada do colo uterino com IG entre 16-24 semanas.
  3. C) Cerclagem uterina.
  4. D) Pessário cervical.
  5. E) Iniciar progesterona e suspender se após ultrassom transvaginal medida do colo uterino for > ou igual a 25 mm.

Pérola Clínica

Prematuridade prévia + IG 16s → suspeita IIC. Iniciar progesterona vaginal e USG seriada do colo (16-24s).

Resumo-Chave

Paciente com história de prematuridade prévia (parto com 30 semanas) e gestação atual de 16 semanas tem alto risco para incompetência istmo-cervical ou parto prematuro recorrente. A conduta mais adequada é iniciar progesterona vaginal, que comprovadamente reduz o risco de parto prematuro, e realizar ultrassonografia transvaginal seriada para monitorar o comprimento do colo uterino entre 16 e 24 semanas.

Contexto Educacional

A incompetência istmo-cervical (IIC) é uma condição na qual o colo uterino se dilata e encurta de forma indolor no segundo trimestre da gestação, levando a parto prematuro ou abortamento tardio. A história de parto prematuro espontâneo prévio, como no caso da paciente com parto vaginal com 30 semanas, é o principal fator de risco e um forte indicativo de IIC ou risco aumentado de recorrência. Para gestantes com história de parto prematuro espontâneo, a conduta atual preconiza o início da progesterona via vaginal a partir de 16 semanas de idade gestacional. A progesterona tem demonstrado eficácia na redução do risco de parto prematuro nessa população. Além disso, é fundamental realizar ultrassonografia transvaginal seriada para monitorar o comprimento do colo uterino, geralmente entre 16 e 24 semanas. Um colo uterino curto (< 25 mm) detectado durante esse período, especialmente em pacientes de alto risco, pode indicar a necessidade de outras intervenções, como a cerclagem uterina. A cerclagem uterina é um procedimento cirúrgico que visa reforçar o colo uterino e é indicada em casos específicos, como história de IIC e colo curto, ou como cerclagem de emergência. O pessário cervical é uma alternativa menos invasiva, mas com evidências de eficácia ainda em discussão. O manejo adequado dessas gestantes de alto risco é crucial para melhorar os desfechos perinatais e requer uma abordagem cuidadosa e individualizada.

Perguntas Frequentes

O que é incompetência istmo-cervical e como é diagnosticada?

A IIC é a incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo devido à sua dilatação indolor. É diagnosticada pela história de partos prematuros ou perdas gestacionais no segundo trimestre, e por ultrassonografia transvaginal que mostra colo curto.

Qual o papel da progesterona vaginal na prevenção do parto prematuro?

A progesterona vaginal tem ação tocolítica e anti-inflamatória, ajudando a manter o colo uterino fechado e reduzindo o risco de parto prematuro em gestantes de alto risco, especialmente aquelas com colo curto ou história prévia.

Quando a cerclagem uterina é indicada na IIC?

A cerclagem é indicada em gestantes com história de IIC e colo uterino curto (geralmente < 25 mm) detectado na ultrassonografia transvaginal, ou como cerclagem de emergência em casos de dilatação cervical com membranas protusas.

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