IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022
Julia, 34 anos, está com 28 semanas de idade gestacional e comparece na emergência com queixa de saída de secreção mucoide pela vagina. Pré natal de baixo risco sem nenhuma intercorrência. Ao exame: PA 120x70 mmHg, atividade uterina ausente, tônus uterino normal, fundo de útero com 26 cm. Toque vaginal com colo 6 cm dilatado, bolsa íntegra herniada, apresentação pélvica flutuando. São fatores de risco para essa situação clínica, EXCETO:
IIC → Dilatação cervical indolor 2º trimestre, bolsa herniada. Fatores risco: trauma cervical (conização, laceração), malformação uterina.
A incompetência istmo-cervical é caracterizada pela dilatação cervical indolor no segundo trimestre, frequentemente com membranas protusas. Fatores de risco incluem histórico de trauma cervical (conização, laceração) ou anomalias uterinas congênitas. A translocação balanceada é um fator genético para abortamentos de repetição ou malformações, não para IIC.
A Incompetência Istmo-Cervical (IIC), também conhecida como insuficiência cervical, é uma condição obstétrica caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação e esvaecimento indolores no segundo trimestre. Sua prevalência varia, mas é uma causa significativa de parto prematuro e perda gestacional tardia. O diagnóstico é clínico, baseado na história de partos prematuros anteriores ou perdas gestacionais tardias, e no exame físico que revela dilatação cervical sem contrações. A fisiopatologia da IIC envolve uma falha estrutural ou funcional do colo uterino. Fatores de risco incluem trauma cervical prévio (conização, dilatação e curetagem, lacerações cervicais em partos anteriores), malformações uterinas congênitas (como útero bicorno ou septado), exposição intrauterina ao dietilestilbestrol (DES) e, em alguns casos, gestações múltiplas. É crucial diferenciar a IIC de outras causas de parto prematuro, como infecções ou trabalho de parto prematuro verdadeiro. O tratamento da IIC pode incluir a cerclagem cervical, um procedimento cirúrgico para reforçar o colo uterino, geralmente realizado entre 12 e 14 semanas de gestação. Outras abordagens incluem repouso relativo e progesterona vaginal, embora a evidência para estas seja mais forte em casos de colo curto. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico e manejo adequados, permitindo que a gestação prossiga por mais tempo.
A IIC classicamente se manifesta como dilatação cervical indolor no segundo trimestre da gestação, muitas vezes com membranas ovulares protusas na vagina, sem contrações uterinas significativas ou sangramento. Pode haver queixa de pressão pélvica ou aumento da secreção vaginal.
Procedimentos como conização ou lacerações cervicais em partos anteriores podem comprometer a integridade estrutural e a função esfincteriana do colo uterino, levando à sua incapacidade de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação prematura.
A translocação balanceada é uma alteração cromossômica que, embora possa causar abortamentos de repetição ou anomalias fetais devido a desequilíbrios genéticos, não afeta diretamente a competência mecânica do colo uterino. Os fatores de risco para IIC são predominantemente anatômicos ou traumáticos.
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