FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020
Secundigesta, com útero bicorno, encontra-se com 12 semanas de gestação e apresenta sangramento vaginal há 4 dias. O parto anterior teve duração de 3 horas e ocorreu na 32a semana. Qual a conduta a ser estabelecida no momento?
Útero bicorno + parto prematuro prévio + sangramento atual → Avaliar IIC e cerclagem após cessar sangramento.
A paciente apresenta fatores de risco para incompetência istmo-cervical (útero bicorno, parto prematuro prévio). O sangramento vaginal atual impede a cerclagem imediata, que deve ser realizada após a estabilização e cessação do sangramento, se houver indicação.
A paciente apresenta um quadro complexo que envolve fatores de risco para parto prematuro e incompetência istmo-cervical (IIC): útero bicorno e histórico de parto prematuro na 32ª semana. A IIC é caracterizada pela dilatação indolor do colo uterino no segundo trimestre, levando à perda gestacional. Malformações uterinas, como o útero bicorno, são conhecidas por aumentar o risco de IIC e parto prematuro devido a alterações na anatomia e função cervical. A cerclagem uterina é um procedimento cirúrgico que visa reforçar o colo do útero para prevenir a dilatação prematura. No entanto, a presença de sangramento vaginal ativo na 12ª semana de gestação é um fator complicador. O sangramento pode indicar um abortamento em curso, descolamento ovular ou outras patologias. A realização de uma cerclagem em um contexto de sangramento ativo aumenta significativamente os riscos de infecção, ruptura prematura de membranas e falha do procedimento. Portanto, a conduta mais apropriada é primeiro investigar a causa do sangramento e garantir sua cessação e a estabilidade clínica da paciente. Uma vez que o sangramento tenha parado e a gestação esteja confirmada como viável, a avaliação para cerclagem pode ser realizada, considerando o histórico de parto prematuro e a malformação uterina. A cerclagem profilática é geralmente realizada entre 12 e 14 semanas, mas a presença de sangramento exige cautela e manejo sequencial.
A IIC é a incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo, resultando em dilatação indolor e parto prematuro. O útero bicorno, uma malformação uterina, pode estar associado à IIC devido a alterações anatômicas e funcionais do colo, aumentando o risco de parto prematuro.
O sangramento vaginal ativo pode ser um sinal de abortamento iminente, descolamento de placenta ou infecção. Realizar a cerclagem nessas condições aumenta o risco de complicações como ruptura prematura de membranas, infecção intra-amniótica e falha do procedimento. A estabilização e cessação do sangramento são pré-requisitos.
Existem a cerclagem profilática (indicada por histórico de IIC, realizada entre 12-14 semanas), terapêutica (quando há encurtamento cervical significativo no segundo trimestre) e de emergência (quando há dilatação cervical e membranas protusas). A cerclagem abdominal é reservada para falha da via vaginal ou anatomia cervical desfavorável.
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