Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024
Gestante de 14 semanas comparece à emergência com queixa de sangramento via vaginal. Ao exame especular é observado sangramento do colo, discreto. Realizado ultrassom, o laudo refere imagem próxima do colo em formato de “ampulheta”. O mais provável diagnóstico nesse caso é:
Sangramento 2º trimestre + colo em "ampulheta" (bolsa protruindo) → Incompetência Istmo-Cervical.
A imagem ultrassonográfica de "colo em ampulheta" indica que a bolsa amniótica está protruindo através do orifício cervical externo, um sinal clássico de incompetência istmo-cervical. Esta condição é caracterizada pela dilatação indolor do colo uterino no segundo trimestre, levando a abortamento tardio ou parto prematuro.
A Incompetência Istmo-Cervical (IIC), também conhecida como insuficiência cervical, é uma condição caracterizada pela incapacidade do colo uterino de manter a gestação até o termo devido a uma fraqueza estrutural. Geralmente se manifesta no segundo trimestre com dilatação cervical indolor, levando a abortamento tardio ou parto prematuro. Sua prevalência é de aproximadamente 1% das gestações, mas pode ser maior em pacientes com histórico de perdas gestacionais. O diagnóstico é frequentemente baseado na história clínica de abortamentos tardios recorrentes e no exame ultrassonográfico. A imagem de "colo em ampulheta" no ultrassom transvaginal, onde a bolsa amniótica protrui para o canal cervical, é um achado patognomônico. Outros achados incluem o encurtamento do colo uterino (medida < 25 mm antes de 24 semanas) e a presença de funilização. O manejo da IIC visa prolongar a gestação e inclui a cerclagem cervical, que pode ser profilática (realizada antes da dilatação) ou de resgate (após o início da dilatação). Repouso no leito e progesterona vaginal podem ser adjuvantes, mas a cerclagem é a intervenção mais eficaz. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, permitindo que a maioria das gestações chegue a termo ou próximo dele.
Além do colo em 'ampulheta', outros sinais incluem encurtamento do colo uterino (colo curto), afilamento do segmento inferior do útero e presença de 'funilização' (protrusão da bolsa amniótica para o canal cervical).
A principal conduta é a cerclagem cervical, um procedimento cirúrgico que reforça o colo uterino para mantê-lo fechado durante a gestação. Pode ser realizada profilaticamente ou de resgate, dependendo do caso.
Fatores de risco incluem história de abortamentos tardios ou partos prematuros anteriores, cirurgias cervicais prévias (conização, dilatação e curetagem), anomalias uterinas congênitas e trauma cervical.
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