Incompetência Istmo-Cervical: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 26 anos, G3P0A3C0, sendo realizada curetagem uterina nos abortos de repetição com 17 semanas, nega patologias e uso de medicações. Qual é a PRINCIPAL hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Abortamento precoce por cromossomopatias.
  2. B) Abortamento habitual por incompetência istmo cervical.
  3. C) Abortamento tardio por deficiência hormonal. 
  4. D) Abortamento precoce por deficiência hormonal. 

Pérola Clínica

Abortos de repetição no 2º trimestre (17 semanas) + colo curto/dilatado = Incompetência Istmo-Cervical.

Resumo-Chave

Abortamentos de repetição no segundo trimestre, sem dor ou sangramento prévio, são altamente sugestivos de incompetência istmo-cervical. A fragilidade do colo uterino leva à dilatação e esvaecimento precoce, resultando em perdas gestacionais tardias.

Contexto Educacional

A incompetência istmo-cervical (IIC) é uma condição na qual o colo uterino é incapaz de manter a gestação até o termo devido à sua fragilidade estrutural, resultando em abortamentos de repetição no segundo trimestre ou partos prematuros. É uma causa importante de perda gestacional tardia, afetando cerca de 1% das gestações e sendo responsável por 15-20% dos abortos de segundo trimestre. Para residentes, é fundamental diferenciar a IIC de outras causas de aborto. A fisiopatologia da IIC envolve uma deficiência na integridade do tecido cervical, seja congênita ou adquirida (por exemplo, após traumas cervicais como conização, dilatações e curetagens repetidas). Clinicamente, a IIC se manifesta por abortos ou partos prematuros que ocorrem tipicamente entre 14 e 28 semanas de gestação, muitas vezes sem dor ou sangramento prévio significativo, apenas com a sensação de pressão pélvica e a subsequente ruptura das membranas e expulsão fetal. A história de G3P0A3C0 com abortos em 17 semanas é altamente sugestiva. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história obstétrica. A ultrassonografia transvaginal pode auxiliar, mostrando um colo uterino encurtado ou dilatação do orifício interno. O tratamento de escolha é a cerclagem cervical, um procedimento cirúrgico que reforça o colo uterino, geralmente realizado profilaticamente entre 12 e 14 semanas de gestação em pacientes com história de IIC. O prognóstico com cerclagem é geralmente bom, aumentando significativamente as chances de uma gestação bem-sucedida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Incompetência Istmo-Cervical?

Fatores de risco incluem história de abortos tardios ou partos prematuros, cirurgias cervicais prévias (conização, curetagens traumáticas), trauma cervical, anomalias congênitas do colo uterino e exposição intrauterina ao dietilestilbestrol (DES).

Como é feito o diagnóstico de Incompetência Istmo-Cervical?

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de abortos de repetição no segundo trimestre, geralmente indolores. A ultrassonografia transvaginal pode mostrar um colo uterino curto (<25 mm) ou dilatação do orifício interno em gestações subsequentes.

Qual é o tratamento principal para a Incompetência Istmo-Cervical?

O tratamento de escolha é a cerclagem cervical, um procedimento cirúrgico que consiste em suturar o colo uterino para reforçá-lo e prevenir a dilatação prematura. É geralmente realizada entre 12 e 14 semanas de gestação.

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