UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024
Na assistência à gestante Rh negativa, qual a conduta CORRETA?
Gestante Rh negativa → tipagem sanguínea do parceiro + Coombs indireto materno em todos os trimestres para monitorar isoimunização.
A gestante Rh negativa deve ter seu parceiro tipado para Rh. Se o parceiro for Rh positivo, a gestante deve realizar o teste de Coombs indireto em todos os trimestres para detectar a presença de anticorpos anti-Rh, indicando isoimunização.
A incompatibilidade Rh é uma condição séria na obstetrícia que pode levar à doença hemolítica perinatal (DHP), uma das principais causas de morbimortalidade fetal e neonatal. Ocorre quando uma gestante Rh negativa é exposta a eritrócitos Rh positivos, geralmente do feto, desenvolvendo anticorpos anti-Rh. Em gestações subsequentes com fetos Rh positivos, esses anticorpos podem atravessar a placenta e destruir os glóbulos vermelhos fetais. A fisiopatologia envolve a sensibilização materna, que pode ocorrer durante o parto, aborto, gravidez ectópica, amniocentese, sangramento vaginal ou trauma abdominal. Uma vez sensibilizada, a mãe produz anticorpos IgG que podem atacar os eritrócitos fetais. A prevenção é a chave, e a assistência pré-natal adequada é fundamental para identificar e manejar o risco. A conduta correta para gestantes Rh negativas inclui, inicialmente, a pesquisa da tipagem sanguínea do progenitor. Se o parceiro for Rh positivo, a gestante é considerada de risco e deve realizar o teste de Coombs indireto (pesquisa de anticorpos antieritrocitários) em todos os trimestres da gestação (geralmente na primeira consulta, com 28 semanas e antes do parto). Se o Coombs indireto for negativo, indica que a mãe não está sensibilizada, e a imunoprofilaxia com imunoglobulina anti-Rh deve ser administrada para prevenir a sensibilização. Se o Coombs for positivo, a gestante já está isoimunizada, e o manejo se concentra no monitoramento fetal para anemia, muitas vezes com Doppler da artéria cerebral média.
A imunoprofilaxia anti-Rh é indicada para gestantes Rh negativas não sensibilizadas, geralmente entre 28-32 semanas de gestação e, novamente, nas primeiras 72 horas pós-parto, se o recém-nascido for Rh positivo. Também é administrada após eventos com risco de hemorragia feto-materna.
O Coombs indireto detecta anticorpos anti-Rh no plasma materno. Se positivo, indica que a mãe já está isoimunizada, e o feto está em risco de doença hemolítica perinatal, necessitando de monitoramento fetal mais intensivo.
A doença hemolítica perinatal pode causar anemia fetal grave, hidropsia fetal (edema generalizado), icterícia neonatal grave e, em casos extremos, óbito fetal. O tratamento pode incluir transfusões intrauterinas.
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