Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Primigesta, 28 anos, procura início de pré-natal com idade gestacional de 9 semanas. Nos exames de rotina solicitados foi constatada tipagem sanguínea ABO/Rh: A negativo. Nos exames infecciosos foi constatada sorologia IgM e IgG positivos para citomegalovírus (CMV). Realizada avidez para IgG com resultado: 90% (valor de referência: baixa avidez até 40%). Considerando a tipagem sanguínea do parceiro:
Gestante Rh- com parceiro Rh+ → Pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) mensalmente para isoimunização Rh.
Em gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo, há risco de isoimunização Rh. A pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) deve ser realizada mensalmente a partir da 20ª semana para monitorar a formação de anticorpos anti-Rh, que podem causar doença hemolítica perinatal.
A gestação é um período de intensas mudanças fisiológicas e requer um acompanhamento pré-natal rigoroso para identificar e manejar riscos. A incompatibilidade Rh é uma das condições mais importantes a serem rastreadas, pois pode levar à doença hemolítica perinatal (DHPN), uma causa significativa de morbimortalidade fetal e neonatal. O Citomegalovírus (CMV) é outra infecção que, quando adquirida na gestação, pode ter sérias consequências para o feto. Residentes devem estar aptos a interpretar exames e definir condutas. No caso de uma gestante Rh negativo com parceiro Rh positivo, existe o risco de isoimunização materna, onde a mãe produz anticorpos contra os eritrócitos fetais Rh positivos. Para monitorar essa sensibilização, a pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) deve ser realizada mensalmente a partir da 20ª semana de gestação. A profilaxia com imunoglobulina anti-Rh é crucial para prevenir a isoimunização em gestantes não sensibilizadas. Em relação ao CMV, a presença de IgM e IgG positivos com alta avidez de IgG (90% > 40%) indica uma infecção antiga, provavelmente anterior à gestação, o que reduz significativamente o risco de transmissão congênita. Se a avidez fosse baixa, indicaria infecção recente e um risco maior. O acompanhamento da velocidade de artéria cerebral média (VACM) é utilizado para monitorar anemia fetal em casos de isoimunização já estabelecida, não sendo a conduta inicial para rastreamento de isoimunização em gestantes Rh negativo não sensibilizadas.
A avidez de IgG para CMV ajuda a datar a infecção. Alta avidez (>60%) em gestantes com IgM e IgG positivos sugere infecção antiga (mais de 3-4 meses), reduzindo o risco de transmissão congênita. Baixa avidez indica infecção recente, com maior risco.
A profilaxia é feita com imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) em gestantes Rh negativo não sensibilizadas. É administrada rotineiramente na 28ª semana de gestação e novamente após o parto, se o recém-nascido for Rh positivo, ou em eventos de risco como aborto, sangramento ou procedimentos invasivos.
A isoimunização Rh pode levar à doença hemolítica perinatal (DHPN), que varia de anemia leve a hidropsia fetal e óbito. A gravidade depende da quantidade de anticorpos maternos e da resposta fetal, sendo monitorada por ultrassonografia Doppler da artéria cerebral média.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo