Incompatibilidade Rh na Gestação: Prevenção e Manejo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma gestante I gesta com tipagem O Rh negativo e marido A positivo comparece no pré-natal. Baseando-se nesses exames, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Não há com o que se preocupar, pois se o marido é A e o feto for A, não irá sensibilizar pois a gestante tem anti A como anticorpo natural que impede a sensibilização.
  2. B) Ocorrendo a sensibilização, a propedêutica passa a ser o controle do Doppler da artéria uterina e da artéria umbilical.
  3. C) Na 28ª semana, se a pesquisa de anticorpos irregulares (Coombs indireto) for de até 1 para 32, deverá receber imunoglobulina.
  4. D) Se apresentar sangramento na gestação, deverá receber imunoglobulina anti-Rh.

Pérola Clínica

Gestante Rh negativo com marido Rh positivo → Receber imunoglobulina anti-Rh em sangramentos ou na 28ª semana, se Coombs indireto negativo.

Resumo-Chave

A gestante Rh negativo com parceiro Rh positivo tem risco de sensibilização e doença hemolítica do feto e recém-nascido. A profilaxia com imunoglobulina anti-Rh é crucial em eventos de sangramento ou na 28ª semana, se o Coombs indireto for negativo, para prevenir a formação de anticorpos maternos.

Contexto Educacional

A incompatibilidade Rh é uma condição que pode ocorrer quando uma gestante Rh negativo é exposta a eritrócitos Rh positivo, geralmente do feto, levando à produção de anticorpos maternos que podem atacar os glóbulos vermelhos fetais. Isso pode causar a Doença Hemolítica Perinatal (DHPN), com consequências graves para o feto, incluindo anemia, hidropsia fetal e óbito. A profilaxia é a pedra angular do manejo. Gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo devem ter o Coombs indireto monitorado. Se negativo, a imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) é administrada profilaticamente na 28ª semana de gestação e, crucialmente, após qualquer evento que possa causar a mistura de sangue materno-fetal, como sangramentos vaginais, amniocentese, trauma abdominal ou aborto. A imunoglobulina anti-Rh age "limpando" os eritrócitos fetais Rh positivos da circulação materna antes que o sistema imune da mãe possa ser sensibilizado e produzir seus próprios anticorpos. Após o parto de um bebê Rh positivo, uma dose adicional de imunoglobulina anti-Rh é administrada à mãe dentro de 72 horas. O controle do Doppler da artéria cerebral média fetal é a principal ferramenta para monitorar a anemia fetal em casos de sensibilização já estabelecida.

Perguntas Frequentes

Quando a imunoglobulina anti-Rh deve ser administrada na gestação?

A imunoglobulina anti-Rh deve ser administrada profilaticamente na 28ª semana de gestação (se Coombs indireto negativo) e após qualquer evento que possa causar mistura de sangue materno-fetal, como sangramentos vaginais, aborto, amniocentese ou trauma abdominal.

Qual a importância do Coombs indireto na gestante Rh negativo?

O Coombs indireto detecta anticorpos anti-Rh no soro materno. Se positivo, indica que a mãe já está sensibilizada, e a profilaxia com imunoglobulina anti-Rh não é mais eficaz. Se negativo, a profilaxia deve ser realizada para prevenir a sensibilização.

Como a incompatibilidade Rh afeta o feto?

A incompatibilidade Rh pode levar à Doença Hemolítica Perinatal (DHPN), onde os anticorpos maternos destroem os glóbulos vermelhos fetais, causando anemia, hidropsia fetal (acúmulo de líquido em múltiplos compartimentos) e, em casos graves, óbito fetal.

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