Cesárea Iterativa: Escolha da Incisão Uterina e Riscos

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 39 semanas com 3 cesáreas anteriores é internada para cesárea iterativa. O feto está pélvico e tem peso estimado de 3.700 g. Nessa situação, a incisão uterina deve ser

Alternativas

  1. A) corporal longitudinal.
  2. B) fúndica transversa.
  3. C) Istmocervical arqueada.
  4. D) segmentar transversa.
  5. E) segmento-corporal arqueada.

Pérola Clínica

Em cesárea iterativa, a incisão uterina de escolha é a segmentar transversa (Kerr), no segmento inferior, devido ao menor risco de rotura uterina futura.

Resumo-Chave

A incisão segmentar transversa, realizada no segmento uterino inferior, é a técnica preferencial para a maioria das cesáreas, incluindo as iterativas, devido à sua menor morbidade, menor sangramento e, crucialmente, menor risco de rotura uterina em gestações futuras. Mesmo em casos de apresentação pélvica ou feto grande, esta incisão é geralmente viável.

Contexto Educacional

A cesárea iterativa, ou seja, a realização de uma nova cesárea em gestantes com história de cesáreas anteriores, é uma situação comum na prática obstétrica. A escolha da incisão uterina é um ponto crucial para garantir a segurança da mãe e do feto, minimizando riscos intra e pós-operatórios, especialmente o de rotura uterina em gestações futuras. A decisão deve considerar o histórico obstétrico, as condições atuais da gestação e a apresentação fetal. A incisão uterina segmentar transversa (tipo Kerr) é a técnica de escolha para a vasta maioria das cesáreas, incluindo as iterativas. Ela é realizada no segmento uterino inferior, que é a porção mais fina e menos contrátil do útero, resultando em menor sangramento, melhor cicatrização e, fundamentalmente, um risco significativamente menor de rotura uterina em gestações subsequentes em comparação com a incisão corporal longitudinal (clássica). Mesmo em casos de apresentação pélvica ou fetos com peso estimado elevado, esta incisão é geralmente viável e preferível. A incisão corporal longitudinal é reservada para situações muito específicas, como prematuridade extrema com segmento inferior não desenvolvido, placenta prévia anterior que impede o acesso ao segmento, ou outras anomalias uterinas. No entanto, sua utilização aumenta substancialmente o risco de rotura uterina em gestações futuras, tornando o parto vaginal contraindicado. Portanto, em uma gestante com 3 cesáreas anteriores, a incisão segmentar transversa é a opção mais segura e recomendada, visando a menor morbidade e o melhor prognóstico para a paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a incisão uterina mais comum e por quê?

A incisão segmentar transversa (tipo Kerr) é a mais comum. Ela é realizada no segmento uterino inferior, que é mais fino e menos vascularizado, resultando em menor sangramento, melhor cicatrização e, principalmente, menor risco de rotura uterina em gestações subsequentes.

Quando uma incisão uterina corporal longitudinal (clássica) é indicada?

A incisão corporal longitudinal é reservada para situações específicas, como prematuridade extrema com segmento inferior não formado, placenta prévia anterior com vasos calibrosos, miomas na região do segmento inferior, ou em casos de feto transverso dorso-inferior. Ela está associada a maior risco de rotura uterina futura.

Qual o principal risco de múltiplas cesáreas anteriores?

O principal risco de múltiplas cesáreas anteriores é a placenta prévia e, principalmente, a placenta acreta (e suas variantes increta e percreta), além do maior risco de rotura uterina em gestações futuras, especialmente se a incisão anterior não foi segmentar transversa.

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