SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 57 anos, hígida, assintomática, com exame clínico cervical negativo, foi atendida na Unidade Básica de Saúde (UBS) e o médico solicitou, a pedido da paciente, ultrassom cervical para rastreamento. O exame revelou a presença de lesão em tireoide isolada, com diâmetro de 0,7 cm, isoecogênica, predominantemente cística, margem regular e presença de calcificações grosseiras. Não foi identificada adenomegalia cervical e o diagnóstico sonográfico foi de "incidentaloma". Acerca dessa situação clínica, pode-se afirmar que:
Rastreamento de nódulos tireoidianos em assintomáticos → sobrediagnóstico e intervenções desnecessárias.
O rastreamento de rotina com ultrassonografia cervical em pacientes assintomáticos e sem fatores de risco para câncer de tireoide não é recomendado. A detecção de incidentalomas, como o nódulo descrito, frequentemente leva a investigações desnecessárias (PAAF, cirurgia) que podem causar mais ansiedade e morbidade do que benefício real, devido à alta prevalência de nódulos benignos e ao curso indolente da maioria dos microcarcinomas.
A prevalência de nódulos tireoidianos na população geral é alta, especialmente com o uso crescente de exames de imagem, como a ultrassonografia cervical. Muitos desses nódulos são incidentalomas, ou seja, descobertos acidentalmente durante exames realizados por outras razões. A questão central é se o rastreamento de rotina para câncer de tireoide em pacientes assintomáticos é benéfico. As diretrizes atuais de sociedades médicas, como a American Thyroid Association (ATA), não recomendam o rastreamento de rotina para câncer de tireoide em pacientes assintomáticos e sem fatores de risco. Isso se deve ao risco de sobrediagnóstico, que é a detecção de cânceres que nunca causariam sintomas ou levariam à morte do paciente. O sobrediagnóstico pode resultar em ansiedade desnecessária, punções aspirativas por agulha fina (PAAF) e cirurgias com seus riscos inerentes, sem um benefício claro na redução da mortalidade. No caso apresentado, a paciente hígida e assintomática teve um ultrassom solicitado a pedido, revelando um nódulo pequeno com características mistas. Embora a presença de calcificações grosseiras possa gerar alguma preocupação, o contexto de rastreamento desnecessário e o risco de sobrediagnóstico superam o benefício. A conduta mais adequada seria observar o nódulo ou reavaliar a necessidade de PAAF com base em critérios mais rigorosos, evitando a cascata de intervenções desnecessárias.
O rastreamento em assintomáticos leva à detecção de incidentalomas, muitos dos quais são benignos ou microcarcinomas indolentes. Isso resulta em sobrediagnóstico, ansiedade desnecessária, e procedimentos invasivos (PAAF, cirurgia) com riscos e custos, sem demonstrar redução na mortalidade por câncer de tireoide.
Características suspeitas incluem hipoecogenicidade marcada, microcalcificações, margens irregulares ou espiculadas, forma mais alta que larga, e fluxo intranodular aumentado. O tamanho por si só não é o principal preditor de malignidade.
A PAAF é indicada com base nas características ultrassonográficas do nódulo e seu tamanho. Nódulos com características de alto risco, independentemente do tamanho, ou nódulos maiores que 1 cm com características de risco intermediário, geralmente requerem PAAF.
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