FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Paciente 60 anos previamente hígida realizou TC de abdome devido a quadro de diarreia episódica. Exame revelou imagem de 3 cm de diâmetro em glândula adrenal esquerda. Considerando a localização da lesão, epidemiologia e quadro clínico apresentado, a lesão provavelmente trata-se de um:
Incidentaloma adrenal <4cm, sem sintomas de hiperfunção = adenoma não-funcionante (mais comum).
Incidentalomas adrenais são achados comuns em exames de imagem. A maioria é benigna e não-funcionante. A avaliação inicial foca no tamanho da lesão e na presença de sinais/sintomas de hiperfunção hormonal para excluir feocromocitoma, síndrome de Cushing subclínica e hiperaldosteronismo.
O incidentaloma adrenal é uma massa na glândula adrenal descoberta acidentalmente em exames de imagem realizados por outras razões. Sua prevalência aumenta com a idade, sendo a maioria dos casos adenomas benignos e não-funcionantes. A avaliação de um incidentaloma é crucial para determinar sua natureza (benigna vs. maligna) e sua funcionalidade (produtor de hormônios vs. não-funcionante), pois mesmo lesões pequenas podem ser funcionantes ou, mais raramente, malignas. A investigação diagnóstica envolve duas etapas principais: avaliação funcional e avaliação radiológica. A avaliação funcional busca sinais de feocromocitoma, síndrome de Cushing e hiperaldosteronismo primário, mesmo na ausência de sintomas clássicos. Radiologicamente, características como tamanho (>4-6 cm), densidade na TC sem contraste (>10 UH), washout lento do contraste e heterogeneidade sugerem malignidade (carcinoma adrenocortical), enquanto lesões menores, homogêneas e com baixa densidade são mais consistentes com adenomas benignos. No caso de uma paciente de 60 anos com uma lesão de 3 cm sem sintomas de hiperfunção hormonal e com diarreia episódica (provavelmente não relacionada), a probabilidade de ser um adenoma não-funcionante é alta, dada a epidemiologia. O manejo subsequente dependerá dos resultados da avaliação funcional e das características radiológicas, podendo variar de acompanhamento clínico e radiológico a ressecção cirúrgica em casos de suspeita de malignidade ou hiperfunção hormonal significativa.
A conduta inicial para um incidentaloma adrenal de 3 cm envolve a avaliação funcional para excluir feocromocitoma (metanefrinas plasmáticas ou urinárias), síndrome de Cushing (cortisol livre urinário de 24h ou teste de supressão com dexametasona) e hiperaldosteronismo (relação aldosterona/renina) se houver hipertensão ou hipocalemia. A avaliação radiológica da densidade também é importante.
A suspeita de malignidade aumenta com lesões maiores que 4-6 cm, características radiológicas de malignidade (densidade >10 UH sem contraste, washout lento, margens irregulares, necrose, calcificações), e crescimento rápido em exames de seguimento. A presença de sintomas de hiperfunção hormonal também pode ocorrer em carcinomas.
O adenoma adrenal não-funcionante é a lesão adrenal mais comum encontrada incidentalmente, representando cerca de 70-80% dos casos. Geralmente são benignos, pequenos (<4 cm), homogêneos e com baixa densidade na tomografia sem contraste (<10 UH).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo