ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma paciente de 35 anos submeteu-se a ultrassonografia de rotina, que encontrou nódulo em suprarrenal esquerda. Realizou tomografia computadorizada de abdômen com contraste que mostrou nódulo sólido de 5 cm em adrenal esquerda, com densidade de 20 UH e washout de 30%. Dosagem de metanefrinas, teste de supressão de cortisol e aldosterona/atividade plasmática de renina estavam todas normais. A melhor conduta nesse caso é:
Nódulo adrenal > 4cm ou Washout < 60% ou Densidade > 10 UH → Indicação de Adrenalectomia.
Incidentalomas de adrenal com características de imagem suspeitas (tamanho >4cm, baixa taxa de washout) devem ser ressecados mesmo se não funcionantes.
O incidentaloma de adrenal é um achado comum com o aumento do uso de exames de imagem. A avaliação deve sempre seguir dois pilares: 1) Funcionalidade (excluir hipercortisolismo, feocromocitoma e hiperaldosteronismo); 2) Risco de Malignidade (tamanho e características de imagem). Nódulos > 4cm têm risco aumentado de carcinoma adrenocortical. A densidade > 10 UH indica que o tumor não é um adenoma rico em gordura, e o washout lento confirma a retenção de contraste típica de lesões malignas ou feocromocitomas.
A densidade pré-contraste acima de 10 Unidades Hounsfield (UH) é o principal marcador de suspeição, sugerindo baixo conteúdo lipídico (comum em carcinomas e feocromocitomas). Além disso, o 'washout' (lavagem do contraste) é crucial: um washout absoluto < 60% após 10-15 minutos sugere malignidade. Nódulos com bordas irregulares, heterogeneidade e tamanho superior a 4 cm também aumentam significativamente a probabilidade de carcinoma adrenocortical.
Apesar de a avaliação laboratorial ser normal (nódulo não funcionante), a paciente apresenta dois critérios maiores para cirurgia: 1) Tamanho de 5 cm (ponto de corte usual é 4 cm); 2) Características radiológicas desfavoráveis, como densidade de 20 UH (esperado < 10 para adenomas) e washout de apenas 30% (esperado > 60% para adenomas). Essas características tornam impossível excluir malignidade apenas com acompanhamento, sendo a adrenalectomia a conduta padrão.
Para nódulos sólidos sem invasão óbvia de estruturas adjacentes, a adrenalectomia videolaparoscópica é o padrão-ouro, oferecendo menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e menor tempo de internação. A via aberta (laparotômica) é reservada para tumores volumosos (> 6-10 cm) com suspeita clara de invasão local ou carcinoma adrenocortical avançado, onde a margem oncológica e a linfadenectomia são prioritárias.
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