USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 62 anos de idade, com antecedente de diabetes melito tipo 2, realizou tomografia de abdome sem contraste para avaliação de nefrolitíase, que detectou nódulo homogêneo de 3,5 cm em topografia de adrenal direita, com 8 Unidades Hounsfield. Ao exame clínico, apresentou PA de 125x80 mmHg, FC de 80 bpm, peso de 70 kg, altura de 1,60 m. Ausculta cardiopulmonar normal. Exames laboratoriais: Cr: 1,0 mg/dL; K⁺: 4,2 mEq/L; Na⁺: 138 mEq/L. Além do teste de supressão com dexametasona, faz(em) parte do(s) exame(s) a ser(em) solicitado(s):
Nódulo adrenal < 10 HU = Rico em lipídios (provável adenoma benigno).
Incidentalomas adrenais com densidade < 10 HU são sugestivos de adenomas benignos; em pacientes normotensos e normocalêmicos, o rastreio hormonal é simplificado.
O incidentaloma adrenal é uma massa ≥ 1 cm descoberta em exames de imagem realizados por outros motivos. A avaliação inicial foca em duas perguntas: a lesão é maligna? A lesão é funcional? A tomografia sem contraste é o melhor exame inicial; lesões homogêneas, pequenas e com < 10 HU são quase certamente benignas. No caso clínico, a paciente é normotensa, normocalêmica e a lesão tem 8 HU. O gabarito indica que, além do teste de dexametasona já mencionado, nenhum outro exame seria estritamente necessário dada a benignidade radiológica e ausência de fenótipo clínico para feocromocitoma ou hiperaldosteronismo, embora na prática clínica metanefrinas sejam frequentemente solicitadas.
As HU medem a atenuação dos tecidos na tomografia. Na adrenal, um valor ≤ 10 HU indica alta concentração de lipídios intracitoplasmáticos, o que é característico de adenomas corticais benignos, diferenciando-os de metástases ou carcinomas, que costumam ter > 20 HU.
Todos os pacientes devem realizar o teste de supressão com 1mg de dexametasona para excluir hipercortisolismo subclínico. O rastreio de feocromocitoma (metanefrinas) é recomendado por muitas diretrizes, mas em casos de adenomas lipídicos típicos em pacientes assintomáticos, a necessidade é debatida.
A relação aldosterona/atividade de renina plasmática só deve ser solicitada se o paciente apresentar hipertensão arterial sistêmica ou hipocalemia inexplicada, visando o diagnóstico de hiperaldosteronismo primário.
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